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A esquerda tentou empoderar as minorias e caracterizar o cidadão “normal” como exceção, disse o presidente do Banco do Brasil

Novaes afirmou que a esquerda tentou empoderar minorias e caracterizar o cidadão "normal" como exceção. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Depois de o BB (Banco do Brasil) ter retirado do ar um vídeo de campanha voltada ao público jovem por determinação de Jair Bolsonaro, o chefe do banco estatal, Rubem Novaes, disse que o episódio tem que “ser visto em um contexto mais amplo em que se discute a questão da diversidade no País”.

Em resposta à BBC News Brasil, Novaes afirmou no sábado (27) que a esquerda tentou empoderar minorias e caracterizar o cidadão “normal” como exceção.

“Durante décadas, a esquerda brasileira deflagrou uma guerra cultural tentando confrontar pobres e ricos, negros e brancos, mulheres e homens, homo e heterossexuais etc, etc. O ‘empoderamento’ de minorias era o instrumento acionado em diversas manifestações culturais: novelas, filmes, exposições de arte etc., onde se procurava caracterizar o cidadão ‘normal’ como a exceção e a exceção como regra”, disse.

O posicionamento de Novaes foi enviado por escrito por meio da assessoria de imprensa da instituição, após a reportagem da BBC News Brasil questionar se, na avaliação dele, o episódio abriria caminho para o veto de questões ligadas à diversidade em publicidade de estatais.

Na resposta, o presidente do BB afirmou também que, nas últimas eleições, “diferentes visões do mundo se confrontaram e um povo majoritariamente conservador fez uma clara opção no sentido de rejeitar a sociedade alternativa que os meios de comunicação procuravam nos impor”.

Inicialmente, o Banco do Brasil tinha evitado entrar em uma discussão sobre ideologia. Também por meio da assessoria de imprensa, havia informado na sexta-feira (26) que o presidente da instituição “considerou que faltaram outros perfis de jovens brasileiros que o banco busca alcançar com suas campanhas de publicidade”, ao justificar a retirada do vídeo do ar.

Vídeo marcado pela diversidade

O jornal O Globo revelou na quinta-feira (25) que, por ordem do presidente Jair Bolsonaro, o Banco do Brasil retirou do ar vídeo de uma campanha voltada ao público jovem.

Funcionário de carreira do banco, o diretor de Marketing e Comunicação, Delano Valentim, foi destituído do cargo. Segundo a assessoria do Banco do Brasil, ele está em férias e o destino dele dentro da instituição será discutido após o retorno.

Com 30 segundos, o vídeo é voltado para o público jovem e estimula a abertura de contas do Banco do Brasil por meio de aplicativo. A peça mostra 14 pessoas, com metade dos atores negros. Jovens com diversos estilos de roupas e cortes de cabelo são retratados fazendo selfies com o celular.

O que disse Bolsonaro

A fala de Novaes está alinhada com o discurso de Bolsonaro, que, na manhã de sábado, defendeu o veto à propaganda do Banco do Brasil e disse que a população quer “respeito à família”.

“Quem indica e nomeia presidente do BB, não sou eu? Não preciso falar mais nada então. A linha mudou, a massa quer respeito à família, ninguém quer perseguir minoria nenhuma. E nós não queremos que dinheiro público seja usado dessa maneira. Não é a minha linha. vocês sabem que não é minha linha”, afirmou Bolsonaro.

Rubem Novaes assumiu o comando do Banco do Brasil no início deste ano. Próximo ao ministro da Economia, Paulo Guedes, Novaes é doutor pela Universidade de Chicago e teve passagem pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e pelo Sebrae. Também deu aulas na Fundação Getulio Vargas.

Vaivém sobre aval do presidente

O Palácio do Planalto chegou a determinar que as campanhas publicitárias das empresas estatais deveriam passar pelo crivo da Secom (Secretaria de Comunicação Social).

A decisão foi comunicada por e-mail às equipes de comunicação das estatais, em uma mensagem assinada por Glen Lopes Valente, secretário de publicidade e promoção da Secom. O texto, enviado na quarta-feira (24), informava inclusive que essa previsão seria incorporada em uma instrução normativa.

Em seguida, no entanto, o governo reconheceu que a medida iria ferir a Lei das Estatais e recuou, ao dizer que não cabe à administração direta intervir no conteúdo da publicidade estritamente mercadológica das estatais.

A Lei das Estatais, de 2016, estabelece que “as ações e deliberações do órgão ou ente de controle não podem implicar interferência na gestão das empresas públicas e das sociedades de economia mista a ele submetidas nem ingerência no exercício de suas competências ou na definição de políticas públicas”.

Em outro ponto, diz que a supervisão da empresa pública “não pode ensejar a redução ou a supressão da autonomia” e “nem autoriza a ingerência do supervisor em sua administração e funcionamento, devendo a supervisão ser exercida nos limites da legislação aplicável”.

 

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