Na maior parte do Rio Grande do Sul, os próximos dias devem ser marcados pela continuidade da falta de chuvas. A projeção consta no mais recente relatório oficial divulgado pela Seapdr (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural), Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e pelo Irga (Instituto Riograndense do Arroz (Irga).
Até domingo (8), a presença de uma massa de ar seco deve manter o tempo firme, com grande amplitude térmica em todas as áreas do mapa do Estado. Por essa previsão, os termômetros registrarão valores mais baixos durante as madrugadas e acima de 30°C durante o dia. Somente nas regiões do Litoral e Serra do Nordeste poderão ocorrer pancadas de chuva, mas fracas e isoladas.
Já entre a segunda (9) e a quarta-feira (11), a passagem de uma frente fria pelo oceano tende a favorecer o aumento da nebulosidade sobre o Estado. As pancadas de chuva, entretanto, devem permanecer fracas e com baixos volumes acumulados.
Os totais previstos de chuva deverão ser inferiores a 10 milímetros na maioria das regiões. Apenas nos Campos de Cima da Serra e no Litoral Norte os valores deverão oscilar entre 10 e 20 milímetros.
Safras de verão
Dados preliminares da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), conveniada à Seapdr (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural), aponta que as culturas de verão, especialmente as de milho e soja, tiveram grandes perdas devido aos efeitos da falta de chuvas. Mesmo assim, esta será a quinta maior safra de verão da história do Rio Grande do Sul.
A estimativa indica uma uma produção de 28,7 milhões de toneladas e um impacto econômico no valor bruto superior a R$ 32 bilhões. O levantamento sobre a situação das lavouras da safra de verão 2019/2020 foi apresentado nessa terça-feira na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.
O diretor técnico da Emater-RS, Alencar Rugeri, apresentou os dados coletados em todo o território gaúcho, considerando a situação das lavouras até final de fevereiro. Analisando cada cultura, as grandes perdas envolvem as safras do milho, grão e silagem, e da soja. A área de plantio do milho no Estado, considerando a estimativa inicial e a área atual, teve aumento de 1,5%.
Porém, os reflexos da estiagem apontam redução superior a 20% na média de produção e na produtividade da cultura. A produção esperada para esta safra era de 5,9 milhões de toneladas e produtividade de 7,7 mil kg/ha, mas o cenário encontrado a partir do levantamento indica redução de 21% na produção (4,6 milhões de toneladas) e produtividade média de 5,9 mil kg/ha (redução de 22,3%).
Em relação ao milho silagem, a situação não difere. A redução da produção e da produtividade chegam a cerca de 20%. A expectativa de produção inicial era de 12,5 milhões de toneladas, e a estimativa atual é de 9,9 milhões de toneladas, redução de 20,7%. Em comparativo com a safra passada (2018/19), a cultura do milho reduziu 18% da sua produção (em torno de 1 milhão de toneladas a menos).
(Marcello Campos)
