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A estratégia do presidente da Câmara dos Deputados para se manter no cargo diante da denúncia apresentada ao Supremo de envolvimento no escândalo da Petrobras

Cunha aposta no corporativismo para se manter no comando do Parlamento (Foto: Wilson Dias/ABR)

O corporativismo de parlamentares, o baixo índice de popularidade do governo e o chamado “antipetismo” são as apostas do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para se manter na Presidência da Câmara, mesmo denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República), na quinta-feira, por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras.

Segundo fontes ligadas ao político carioca, essa estratégia também considera a proximidade dos pleitos municipais de 2016. “Em minha base eleitoral ainda não se vê nenhum desgaste pelo fato de eu estar ao lado de Cunha”, disse à Folha de S.Paulo um deputado que prefere não se identificar. “Pelo contrário, tem sido visto de forma positiva essa posição dele de confronto ao governo.”

O peemedebista mantém influência sobre uma bancada multipartidária que abrange PSDB, DEM, PP, PTB, PR, PSD, PSC e boa parte do PMDB. Há um trunfo adicional: o avanço da pauta conservadora na Câmara, por meio das bancadas ruralista, da segurança e evangélica. Cunha é membro da Assembleia de Deus.

Corporativismo

As repercussões da Operação Lava-Jato poderão ir além dos 35 deputados e senadores hoje investigados. Assim, os temores tendem a reforçar o corporativismo entre colegas, com apoios a Cunha por questões de sobrevivência política.

Essa ideia prevalece entre a cúpula do PMDB, que não deverá tomar iniciativas para expulsão. “O partido não tem histórico de agir dessa forma e Cunha terá espaço para se defender”, ressaltou Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães.

Já a bancada do PT demonstra estar dividida sobre o afastamento de Cunha, de quem tem sido alvo de fortes ataques. Embora deputados como Henrique Fontana (RS) defendam a saída imediata do adversário, não há unanimidade na sigla. “Não acho que seja caso de afastamento”, disse o deputado José Mentor (SP), também alvo da Lava-Jato. “É uma acusação a ser respondida.” (AE)

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