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A Europa indicou ao Irã que pretende manter o acordo nuclear mesmo sem os Estados Unidos

No dia 8, Donald Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo entre as potências mundiais e o Irã, assinado em 2015. (Foto: Reprodução)

O chefe do setor de energia da UE (União Europeia) tentou assegurar ao Irã neste sábado que o bloco permanece comprometido em salvar o acordo nuclear com Teerã apesar da decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de se retirar do trato e impor novas sanções à nação.

O comissário europeu para a Energia e o Clima, Miguel Arias Cañete, entregou a mensagem durante a visita a Teerã e também disse que a UE, que tem 28 nações e que já foi o principal importador de petróleo do Irã, espera um aumento do comércio com o país.

“Mandamos uma mensagem aos nossos amigos iranianos de que, enquanto eles mantiverem o acordo, os europeus cumprirão suas obrigações. E eles afirmaram a mesma coisa do outro lado”, disse Cañete em coletiva de imprensa.

“Tentaremos intensificar nosso fluxo de comércio que foi muito positivo para a economia iraniana”, afirmou.

O chefe nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, disse que seu país espera que a União Europeia salve o acordo de 2015, segundo o qual Teerã concordou em interromper seu programa nuclear em troca da retirada da maioria das sanções econômicas do Ocidente.

“Esperamos que esses esforços se materializem. As ações dos Estados Unidos mostram que não são um país confiável em termos de acordos internacionais”, disse Salehi em coletiva de imprensa em Teerã.

Desde o anúncio de Trump, em 8 de maio, países europeus disseram que tentarão manter o fluxo de petróleo e investimentos com o Irã, mas admitiram que isso não será fácil.

Reino Unido, França e Alemanha apoiam o acordo como a melhor forma de impedir que Teerã obtenha armas nucleares, mas pediram que o Irã limite sua influência regional e interrompa seu programa de mísseis.

Saída dos EUA

A retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, divulgada no dia 8 deste mês, concretizou uma promessa de campanha, mas contrariando as vontades dos principais países aliados de Washington.

Desde a campanha à Presidência dos EUA, Trump vinha chamando de catastrófico, desastroso e insano o pacto firmado há três anos, mas demorou 15 meses depois de sua posse para anunciar a retomada de sanções contra Teerã.

Ele demonstrava contrariedade, entre outros pontos, com o fato de o documento não contemplar o programa de mísseis balísticos do Irã, que continua a operar, nem a intervenção do país persa nas guerras da Síria e do Iêmen.

“Se eu deixasse esse acordo de pé, haveria uma corrida por armamentos nucleares no Oriente Médio”, justificou o republicano. “Não podemos impedir uma bomba nuclear iraniana com a estrutura apodrecida do acordo atual. Ele é defeituoso no próprio cerne”, completou.

O acerto firmado em 2015 entre EUA, Irã, França, Alemanha, Reino Unido, China e Rússia impôs limites ao programa nuclear de Teerã.

Como contrapartida, sanções econômicas impostas ao país foram aliviadas, rompendo um isolamento longevo.

O Departamento do Tesouro norte-americano informou que, diante do recuo de Washington, seria revogada em 90 dias a licença que autorizava a exportação de aeronaves ao Irã.

Em um prazo de seis meses, serão reinstituídas as punições para transações com o banco central iraniano e com determinadas instituições financeiras do país.

A decisão dos EUA não significa a extinção do pacto. Mas, na visão de analistas políticos como Tom Nagorski, da Asia Society, um centro de estudos de Nova York, é só uma questão de tempo até os europeus sem verem forçados a abandoná-lo.

“Se americanos forem mesmo punir firmas com negócios no Irã [como sinalizado por Trump no pronunciamento], a Europa talvez passe a se preocupar mais com questões da economia”, disse Nagorski.

Para Emma Ashford, analista do Instituto Cato, de Washington, trata-se de uma “vitória de Pirro” para Trump: “Ele cumpre a promessa de campanha, mas joga fora um acordo de não proliferação nuclear que funcionava bem. Há grande incerteza. Ele não tem uma estratégia para depois nem para evitar uma guerra com o Irã”.

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