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A febre do WhatsApp e dos vídeos no celular ganhou um novo capítulo com o avanço da tecnologia 4G

Usuário 4G consome mais dados, cerca de 1,1GB por mês, mais que o dobro dos 400MB mensais de um usuário 3G. (Foto: Reprodução)

A febre do WhatsApp e dos vídeos no celular ganhou novo capítulo com o avanço da tecnologia 4G na telefonia móvel, que confere internet em alta velocidade pelo telefone. Se em 2015 mais de 16 milhões de brasileiros fizeram do 3G coisa do passado, em 2016, outros 20 milhões de usuários devem fazer o mesmo, segundo previsões da GSMA, a associação internacional do setor. Assim, passando ao largo da crise econômica, as projeções indicam que o total de clientes deve passar dos atuais 23 milhões para 43 milhões no fim deste ano.

Apesar do crescimento recorde, o segmento representa apenas 8,3% das 274 milhões de linhas em uso no País. E o crescimento tão rápido da quarta geração preocupa especialistas. Segundo eles, os investimentos não avançam na mesma proporção, e parte dos clientes se queixa da qualidade do serviço.

Para ter acesso ao 4G, o cliente precisa comprar chip e aparelho habilitados para operar na frequência. Por isso, as operadoras têm estimulado a oferta de celulares de quarta geração que, apesar de serem mais caros que as versões 3G, tiveram queda média de preço de quase 20% no ano passado. Em média, um celular de quarta geração sai por 1.300 reais sem desconto – quase o dobro de um similar 3G, diz a consultoria IDC. Mas, com a política de subsídio praticada pelas teles, um telefone “moderno” pode sair por um valor muito menor ou até de graça, de acordo com o plano pós-pago escolhido.

A tentativa de seduzir os clientes vai além dos aparelhos. Em um período de queda nas receitas, motivada pela crise econômica, Vivo, TIM, Claro, Oi e Nextel estão reduzindo os preços dos planos 4G e aumentando o volume de dados para os clientes. Isso porque, atestam as companhias e especialistas, o usuário 4G consome mais dados, o que, consequentemente, aumenta a rentabilidade das companhias. Segundo as empresas, um cliente de quarta geração consome cerca de 1,1GB por mês, mais que o dobro dos 400MB mensais de um usuário 3G.

Aparelhos caros avançam.

Segundo previsão da GSMA, o 4G chegará a 2020 com uma fatia de 41% de mercado. Por isso, os investimentos aparecem no radar das preocupações dos especialistas. Com base nos dados do SindiTelebrasil, a associação do setor, as teles fecharam o ano de 2015 com investimentos de 30 bilhões de reais, mesmo patamar de 2014. Para 2016, a tendência é ficar no mesmo nível, dizem analistas e empresas.

“Sem dúvida, o desafio é manter o investimento alto em um ambiente de retração de demanda, mas com a perspectiva de alta de consumo de dados móveis. O Brasil não tem mais interesse em telefonia fixa. O negócio é investir em dados. Já vemos clientes 2G indo direto para o 4G”, cita Eduardo Levy, diretor-executivo do SindiTelebrasil.

E na era dos aplicativos de vídeos e mensagens, o usuário se depara com uma oferta maior de 4G no varejo. Os números impressionam: em 2015, foram homologados 71 modelos de aparelhos 4G, pouco menos que os 77 de 3G. Para especialistas, essa proporção deve se inverter neste ano. O número de cidades com a tecnologia também surpreende: subiu de 99 para 410 desde 2014. A maior parte delas tem mais de 200 mil habitantes. Apesar do incremento, o número ainda é distante dos 4.398 municípios com cobertura de tecnologia 3G.

Assim, em 2016, a expectativa é que 70% dos aparelhos vendidos sejam 4G, contra 40% no ano passado, diz Leonardo Munin, analista de celulares do IDC. Segundo ele, o Brasil neste ano vai passar pelo mesmo movimento que ocorreu na China no ano passado, quando os aparelhos 4G passaram de 20% para 90% das vendas ao longo do ano. E com aparelhos mais potentes na mão, o brasileiro não sai da internet. Mas tem mais. Ao longo de 2016, as operadoras já prometem nova tecnologia: a 4,5G. (AG)

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