O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quarta-feira (14) a imposição de um toque de recolher em Paris e em outras oito cidades para tentar controlar a transmissão da covid-19. A nova medida, que vai vigorar das 21h às 6h, passa a valer a partir deste sábado (17). Ela afeta essencialmente as atividades recreativas, mas não as escolas e os locais de trabalho.
O toque de recolher irá durar inicialmente quatro semanas, segundo informou Macron, mas pode se estender a seis com a aprovação da Assembleia Nacional. A medida irá afetar a região de Île-de-France — que inclui Paris — e as cidades de Lyon, Lille, Rouen, Grenoble, Montpelier, Saint-Etienne, Toulose e Ayx-en-Provence. Ao todo, cerca de 20 milhões de pessoas — quase um terço da população do país — serão afetadas. Quem desrespeitar a nova restrição terá que pagar uma multa de € 135 (R$ 887).
“Estamos em uma segunda onda”, afirmou Macron. “Temos que reagir.”
O presidente também explicou que não haverá uma “proibição” de sair de casa entre 21h e 6h, mas que se trata de uma “limitação”. Segundo ele, a população estará autorizada a sair nesse horário em casos essenciais, como trabalho. Não haverá restrições nos transportes públicos, e os franceses podem viajar entre as regiões do país.
“O toque de recolher irá durar quatro semanas, e iremos ao Parlamento para estendê-lo até 1º de dezembro. Seis semanas é o tempo que acreditamos ser necessário”, disse Macron.
Em Paris e outras cidades mais afetadas pelo vírus, bares e academias já haviam sido fechados, e foram implementados protocolos mais rígidos em restaurantes e shoppings.
Agora, na prática, restaurantes, teatros e cinemas deverão fechar às 21h. A nova medida tem como objetivo limitar reuniões privadas, onde as infecções se multiplicam.
“Não poderemos sair dos restaurantes depois das 21h, não poderemos ir à casa de amigos para comemorar, porque sabemos que é lá que ocorrem mais contaminações”, disse o presidente francês, afirmando que a vida dos franceses não mudará durante o dia. “Vamos continuar trabalhando, a nossa economia precisa disso, nós precisamos, e os nossos filhos vão continuar frequentando a escola.”
O presidente, no entanto, recomendou o trabalho remoto “duas ou três vezes por semana” para as empresas que possam adotá-lo.
Macron também afirmou que a pandemia é “preocupante”, mas que o país “não perdeu o controle da situação”. Ele ainda acrescentou que decretar uma nova quarentena nacional seria desproporcional, apesar do aumento dos casos.
“A mensagem que eu quero passar nesta noite é que preciso de cada um de vocês, precisamos uns dos outros para achar soluções. Sairemos desta mais fortes, porque estamos unidos”, disse ele.
