1. O País está de cabeça para baixo. O governo, que não governa, sem autoridade, pede aos manifestantes prazos anestésicos, como se o problema fosse de tempo. Na verdade, necessita-se é de competência e seriedade. Estas, sim, em falta nos altos (?) escalões da República.
2. Autoridades, manifestantes, jornalistas falam na greve. Vamos conceituar direito os fatos.
Até agora não houve greve de espécie alguma.
Ela só existe quando empregados reivindicam alguma coisa dos empregadores e, para pressiona-los, não comparecem ao emprego.
3. Aqui e agora, a pia batismal do movimento é a dos trabalhadores por conta própria reivindicando do governo alterações na sufocante carga tributária.
Sindicatos patronais pegaram carona e seus dirigentes (de paletó e gravata, em pleno Palácio do Planalto, sem qualquer identidade que os aproxime dos que estão na estrada), evidentemente, negociaram – o que lhes interessava – com o Poder Público.
4. Ninguém falou em salário, insalubridade, jornada de trabalho, hora extra etc etc. Temas que seriam prioritários “se houvesse greve verdadeira”.
Logo, o que estão chamando de greve, pode ser tudo, menos greve.
5. Ante tantos problemas, cabe entender os fatos e corrigir os erros, dando nome aos bois.
Como dizia o Barão de Itararé: “não vamos confundir Habeas Corpus com Corpus Christi”.
6. O que está acontecendo, pelo menos no seu início é parecido com um lock out e não com a greve. O lock out é a paralisação do trabalho por iniciativa do empregador (empresário).
7. Fazer acordo tributário com o governo, em princípio é um ganho para as empresas que, sem compartilhar da batalha desafiadora ficarão, provavelmente com a maior parte dos lucros da vitória.
O que vai ser difícil de explicar aos caminhoneiros é: afinal qual foi o papel que não lhes tocou correndo o risco de assumir o movimento?
