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A inadimplência de idosos foi a que mais cresceu em dois anos no País

Distribuição de informativos e atividades lúdicas marcarão o dia de alerta sobre cuidados que os pacientes devem ter no ambiente hospitalar. (Foto: Freepik)

A inadimplência dos idosos, a faixa etária que provavelmente reúne o maior número de aposentados, não é a mais elevada do País, mas foi a que mais cresceu nos últimos dois anos.  Em maio deste ano, 34,5% dos brasileiros com mais de 61 anos de idade estavam com contas atrasadas, segundo levantamento nacional da Serasa Experian. É um resultado menor do que a média da população brasileira, de 39,9%, porém maior do que o registrado para essa faixa etária dois anos atrás.

Entre os que têm entre 26 e 30 anos de idade, por exemplo, 45,3% estavam inadimplentes em maio deste ano. No entanto, o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi observa que nos dois últimos anos houve uma inversão no comportamento da inadimplência desses dois grupos. A fatia de adultos maduros inadimplentes caiu e a de idosos subiu.

O calote dos idosos, que era 32,1% em maio de 2016, atingiu 34,5% no mesmo mês deste ano, uma alta de 2,4 pontos porcentuais. Já o calote dos adultos maduros entre 26 e 30 anos saiu de 47,5% em maio de 2016 para 45,3% em maio deste ano, um recuo de 2,2 pontos porcentuais.

“O idoso não é mais inadimplente do que adulto maduro”, destacou Rabi, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. Segundo ele, o número de idosos inadimplentes aumentou nesse período por causa da crise. “Muitos deles tomaram crédito para socorrer as famílias em dificuldades”, explicou o economista.

O primeiro passo dos idosos aposentados é buscar o crédito consignado, aquele financiamento que tem juro menor do que a média de mercado, cujo desconto é feito diretamente do benefício da aposentadoria. “Mas como a recessão está demorando a passar, os idosos continuam sendo pressionados pelos familiares a buscarem mais crédito”, apontou. 

Ocorre que, pelas regras do crédito consignado o aposentado ou pensionista da Previdência pode comprometer, no máximo, 35% do seu benefício líquido, isto é, após o desconto de impostos, com a prestação. Muitos, diz Rabi, tomam créditos consignados até o limite possível e, com isso, a renda encurta muito. A saída é buscar dinheiro para fechar as contas do mês nas linhas de crédito tradicionais em bancos e financeiras, onde as taxas de juros são de mercado. O resultado é que muitos acabam ficando inadimplentes.

O aposentado Gustavo Baade, de 82 anos, fez um empréstimo consignado para pagar dívidas. Mensalmente é descontado do seu benefício bruto de R$ 1.200 mais de R$ 100. “Com o desconto da prestação do consignado, a minha aposentadoria não chega a R$ 1 mil”, afirmou ao Estadão. Ele está pagando o empréstimo e diz não estar inadimplente. A idade, segundo ele, dificulta a aprovação de outros financiamentos.

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