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A inflação no Brasil teve alta de 1,39% em dezembro ante 0,95% em novembro

Prévia do PIB cai 0,15% em agosto após dois meses de alta. (Foto: EBC)

O Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1) de dezembro subiu 1,39%, ficando 0,44 ponto percentual acima do apurado em novembro, quando o índice registrou taxa de 0,95%. A pesquisa foi divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Com este resultado, o indicador acumula alta de 6,30% nos últimos 12 meses. Em dezembro, o IPC-BR, que mede a variação de preços para famílias com renda de 1 a 33 salários-mínimos mensais, variou 1,07%. A taxa do indicador nos últimos 12 meses ficou em 5,17%, nível abaixo do registrado pelo IPC.

Quatro das oito classes de despesas componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação: Habitação (0,39% para 3,21%), Vestuário (-0,04% para 0,44%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,23% para 0,39%) e Despesas Diversas (0,11% para 0,23%).

Nestas classes de despesa, o destaque ficou para os aumentos na tarifa de eletricidade residencial (0,20% para 11,85%), calçados (0,04% para 0,55%), artigos de higiene e cuidado pessoal (0,23% para 0,70%) e alimentos para animais domésticos (-0,85% para 1,76%).

Em contrapartida, os grupos Educação, Leitura e Recreação (2,56% para -0,20%), Alimentação (2,18% para 1,59%), Transportes (0,90% para 0,73%) e Comunicação (0,12% para 0,01%) apresentaram recuo em suas taxas de variação.

FGV

A trajetória da inflação apurada pelos Índices Gerais de Preços (IGPs) no começo de 2021 é uma incógnita, visto que dependerá da evolução do câmbio e de preços de commodities, que operam com volatilidade em meio à pandemia.

A observação partiu do economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz ao comentar o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), anunciado pela fundação. O técnico explicou que, no ano passado, a inflação do IGP-DI foi impulsionada por disparada nos preços do atacado – que, por sua vez, foram fortemente influenciados por commodities em alta.

Ele informou que o Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna (IPA-DI) desacelerou de 3,31% para 0,68% entre novembro e dezembro; mas terminou 2020 com alta de 31,72%. Em 2019, a alta foi de 9,63%.

“Três produtos responderam por 42% do total da inflação no atacado no ano passado, e todos eram commodities” acrescentou o técnico. Ele citou as altas registradas, em 2020, nos preços de minério de ferro (107,15%); soja (79,45%); e milho (68,81%). Somente esses três produtos respondem por 21,75% do total do IPA-DI – que representa inflação atacadista e tem peso de 60% no IGPs, lembrou ele.

O impacto das commodities dentro dos IGPs é tão grande que elas também foram responsáveis pela desaceleração do IGP-DI, na evolução mensal entre novembro e dezembro, acrescentou o técnico. No último mês de 2020, foram registradas quedas em soja (-12,72%) milho em grão (-6,77%) e bovinos (-4,87%) e isso acabou ajudando a reduzir o IPA-DI em dezembro do ano passado.

Portanto, não há como saber qual trajetória os IGPs devem evoluir no começo de 2021, em meio à crise global causada por covid-19, tendo em vista a característica oscilante nos preços das commodities, bem como do dólar – cuja cotação influencia também preço desse tipo de produto, notou ele.

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