Queria ir a um show e acessei a internet. Abri a notícia do show e apareceu, de cara, um site – que parecia o “oficial” – vendendo ingressos. O tal site é o Viagogo. Fiz toda a operação. O fantástico site abre um relógio e diz que você tem 9 minutos para efetuar a compra. Claro, uma trampa. Isso para que o comprador não leia as entrelinhas. Transformam a compra de ingressos em uma corrida de obstáculos.
Faltando 30 segundos, já com meus dados de cartão de crédito devidamente lançados, descobri que, no dia da retirada dos ingressos, teria que apresentar minha carteira de estudante. Como assim? Bom, não deu tempo de descobrir, porque o tempo esgotou. E, ainda bem, minha compra de três ingressos foi cancelada. Afinal, não apertei no botão “estudante” ou “estou ciente de que…”. Mais incrível: o preço dos ingressos aparecia com o mesmo valor dos ingressos normais. Descobri isso depois. A jogada, ao que parece, é o estudante comprar e pagar o dobro, isto é, preço normal – sempre de olho naqueles 9 minutos e com informação dizendo que os ingressos estavam quase esgotados.
Trampa dois: não há nenhum indicativo de que se exigiria carteira de estudante do comprador na hora da retirada dos ingressos, o que pode significar que vendem ingressos a rodo para estudantes e não estudantes pelo mesmo preço. Insisto: sempre com o alerta de que os ingressos estão quase esgotados. Isso é o que mais me irritou, porque, como mostrarei abaixo, era falsa. Atenção: os ingressos que comprei em outro site – também cheio de balaca – foram impressos na minha impressora. Mas ninguém me pediu identificação na hora de entrar no show. Tudo balaca na hora de vender.
No meu caso específico, 1. – comprei os ingressos por um preço até um pouco mais barato em outro site (Ingresso Fácil – como disse, também exigindo um monte de informações e cheio de balaca) e, 2. – o show não estava lotado, restando, seguramente, 25% de lugares vagos. E olha que, entre a data da compra e o dia do show se passaram quase duas semanas. E, mesmo assim, o show não estava lotado. Informação ruim e defeituosa do tal Viagogo. Portanto, que os leitores abram o olho com esse tipo de serviço. Deveria haver um controle sobre esse tipo de venda. Fazer com que o comprador fique assustado e faça compra rapidamente e, ainda por cima, pensando que os ingressos estão praticamente esgotados.
O consumidor sofre de tudo que jeito. E lá no show tem a flanelinha cobrando 30-40 reais para “cuidar” do veículo. Sob os olhares lenientes dos azuizinhos. O achaque dos flanelinhas correndo frouxo e os azuizinhos contemplando, contemplando.
O tal site é mais um dos fatores de descrédito da internet. Vivemos uma espécie de panoptico, em que o olho invisível tudo vê e nos oferece produtos. Faça o teste. Entre em algum site para comprar ou procurar algum produto. Minutos depois receberá uma enxurrada de ofertas. E ofertas sem uma clara informação. Assim como são os sites sobre carros e empresas que os vendem. Ponha no google uma marca de carro e do lado a palavra preço. Dezenas de sites aparecerão. Mas, não se preocupe. Informação demais é informação de menos. Nenhuma delas servirá para algo. Entre buscando carros Mercedes. Pronto. Ou BMW. Ao cabo de cinco minutos, você chegará à seguinte conclusão: para comprar um carro, só indo mesmo na revenda. Entre na revenda. Dê seu nome. Se não comprar, você arrumou um problema. Porque receberá telefonemas. E assim a coisa vai.
As redes sociais, além de se tornarem o lugar em que os idiotas perderam a timidez, sobrecarregaram o “sistema”. E já ninguém se entende. Todos os gatos ficaram pardos. E já não sabemos separar o joio do trigo. Quer dizer, há um monte de sites e links ensinando a fazer essa separação. Ensinam você a ficar com…o joio. Bingo.
