A internet já está presente em 54% das casas do Brasil, apontou a pesquisa TIC Domicílios 2016, realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) e apresentada nessa terça-feira.
Esse percentual é o equivalente a 36,7 milhões de residências. Em relação a 2015, houve um ligeiro avanço de três pontos percentuais. O Cetic, órgão vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, elaborou a pesquisa a partir de entrevistas a moradores de 23 mil domicílios em mais de 350 municípios de todo o Brasil entre novembro de 2016 e junho de 2017.
Desigualdade
A desigualdade brasileira fica evidente quando são consideradas a faixa de renda e a localização da residência. Dos domicílios das classes D/E, apenas 23% estão conectados à internet. Já naqueles pertencentes às classes A e B, o índice de inclusão digital é de 98% e 91%, respectivamente. A proporção das casas em áreas rurais que estão conectadas é de 26%. No meio urbano, esse índice é de 59%.
Celular x computador
A internet é usada 61% dos indivíduos maiores de 10 anos em 2016, apontou a TIC Domicílios. Com isso, o Brasil atingiu 107,9 milhões pessoas conectadas. A pesquisa reafirma a tendência da preferência pelo celular ante computadores.
Em 2016, 93% dos usuários acessavam a internet pela telinha do celular – aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2015. O grupo daqueles que recorriam a computadores para isso caiu para 57% no ano – em 2014, esses internautas já foram 80%.
Consulta pública
Termina às 18h de sexta-feira, o prazo de envio de contribuições para a consulta pública que discute a modernização da estrutura de governança da internet brasileira. O conteúdo integral da consulta, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, está disponível na plataforma Participa.br.
Segundo comunicado do ministério, a discussão está baseada em premissas como a harmonização da estrutura de governança da internet brasileira ao intenso processo de transformação digital. A proposta é colher sugestões sobre: A existência de uma instância multissetorial de governança da internet; O reconhecimento do Comitê Gestor da Internet no Brasil como foro de participação social na governança da internet brasileira; A necessidade de adoção de medidas de transição entre a atual estrutura e composição do CGI.br; Aprofundamento da transparência, publicidade e participação nos mecanismos de governança da internet; e preservação do caráter multiparticipativo e democrático da estrutura de governança da internet no País.
O lançamento da consulta pública pelo MCTIC gerou mal-estar entre integrantes do CGI.br, logo que foi anunciada, em 8 de agosto. Ativistas, entidades que representam interesses sociais, de defesa do consumidor e direitos na internet, se posicionaram contra. Até mesmo cientistas publicaram manifesto pedindo a retirada da consulta do ar.
A discussão acalorada só arrefeceu após pronunciamento do próprio CGI.br, que em reunião decidiu participar da consulta. O organismo vai enviar contribuições, escritas durante do Fórum da Internet no Brasil, em novembro, com aval dos participantes do evento.
