Ícone do site Jornal O Sul

A Itália já tem mais de 30 mil mortes por coronavírus, e o prefeito de Milão se desespera com as aglomerações

Itália registrou 119 novas mortes pela covid-19 neste sábado. (Foto: Miguel Medina/AFP)

No dia em que a Itália passou a marca de 30 mil mortes pelo novo coronavírus – sendo o terceiro país a alcançar essa marca –, o prefeito de Milão ameaçou fechar espaços públicos na cidade. A declaração de Giuseppe Sala, nesta sexta-feira (8), ocorre após imagens exibidas por canais de televisão mostrarem multidões de pessoas reunidas, ignorando as determinações de distanciamento social feitas pelas autoridades de saúde para evitar um novo surto de infecções do novo coronavírus.

A Itália, na última segunda-feira, relaxou uma das quarentenas mais rígidas da Europa, permitindo a reabertura de muitas empresas e dando mais liberdade de locomoção à população, que durante quase 50 dias só pôde sair de casa para ir à farmácia e ao mercado. No entanto, as autoridades insistiram em que as medidas de distanciamento social ainda devem ser respeitadas.

No geral, as regras têm sido respeitadas, mas em Milão, epicentro da Covid-19 no país, há relatos de vários grupos de pessoas, sem máscara, se reunindo em parques e outros espaços ao ar livre, como o Navigli, que é uma área popular de canais artificiais da cidade.

“As imagens de ontem do Navigli foram vergonhosas”, disse Giuseppe Sala, prefeito de Milão, em um de seus pronunciamentos feitos pela internet. “Ou as coisas mudam hoje ou amanhã eu estarei aqui no Palácio Marino (sede da prefeitura de Milão) e aprovarei as medidas para fechar o Navigli. Vou parar os serviços de delivery, e então vocês poderão explicar às pessoas que trabalham em bares por que o prefeito não as deixa fazer seu trabalho.”

“Isso não é um jogo, não podemos permitir isso em uma cidade de 1,4 milhão de habitantes”, concluiu o prefeito.

Os comentários de Sala refletem a preocupação entre as autoridades italianas de que o final da quarentena possa levar a um novo surto da Covid-19 se as medidas de distanciamento social não forem respeitadas.

Em uma entrevista em Roma, o chefe do Instituto Nacional de Saúde da Itália, Silvio Brusaferro também alertou que a pandemia ainda não acabou e que é necessário um comportamento responsável da população.

“O vírus não mudou sua identidade, ele é transmitido ainda da mesma maneira… se fizermos reuniões, violando as regras que possibilitaram ao nosso sistema de saúde respirar, isso fará com que o vírus se espalhe novamente como antes”, disse Brusaferro.

O governo, que enfrenta uma queda do PIB estimada em 15%, planeja uma retomada gradual das atividades econômicas, com fábricas sendo abertas esta semana e a reabertura de todo o comércio a partir de 18 de maio. Cafés e restaurantes, no entanto, ainda não têm data para servir os clientes nas mesas. As informações são da agência de notícias Reuters.

 

Sair da versão mobile