A J&F, grupo que reúne os negócios do irmãos Joesley e Welsey Batista, anunciou, neste sábado (02), a venda da empresa Eldorado Celulose e Papel por R$ 15 bilhões para o grupo Paper Excellence.
Segundo comunicado enviado à imprensa, o contrato de compra e venda foi assinado neste sábado e estabelece a transferência de até 100% das ações pelo valor de R$ 15 bilhões. A operação será finalizada em até 12 meses.
A Eldorado produz cerca de 1,7 milhão de toneladas de celulose de eucalipto por ano. A empresa é uma das investigadas na Operação Greenfield, que trata de irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do país, todos ligados a estatais.
De acordo com o grupo Paper Excellence, a aquisição é importante porque inclui no seu portfólio ativos de produção de celulose de eucalipto. No texto, a J&F destaca a qualidade dos ativos que compõem a Eldorado e as empresas afirmam que a negociação atendeu ao interesse das duas partes.
Investimentos do FI-FGTS
Joesley Batista disse que pagou propina para conseguir liberar um investimento de R$ 940 milhões do FI-FGTS para construção da fábrica da Eldorado. O FI-FGTS é um fundo administrado pela Caixa Econômica Federal que investe recursos do FGTS em projetos de infraestrutura. Segundo Joesley, Lucio Funaro o abordou e disse que soube que o grupo teria pedido financiamento ao FI-FGTS.
Operação Greenfield
A Eldorado é um dos alvos da Operação Greenfield, que investiga irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do país, todos ligados a estatais. O prejuízo causado aos fundos está estimado em R$ 1,7 bilhão, segundo a Polícia Federal.
De acordo com a PF, os envolvidos cometeram fraudes em Fundos de Pensão que realizaram investimentos no FIP (Fundo de Investimentos em Participação) Florestal. O FIP teria recebido um aporte de cerca de R$ 550 milhões dos fundos de pensão Petros e Funcef. Esse valor, com as correções, chega a R$ 1,7 bilhão.
A J&F atuou de duas formas para tentar influenciar as investigações da operação. Uma das frentes foi a contratação de um advogado amigo de um juiz do caso e a outra foi o pagamento de propina a um procurador assistente da acusação.
Programa de desinvestimentos
Em junho, a JBS informou a realização de um programa de desinvestimentos de R$ 6 bilhões. Em julho, a J&F vendeu sua participação de 54,24% na Alpargatas para a Itaúsa, Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant (BW) por R$ 3,5 bilhões, logo após a Operação Carne Fraca e o escândalo envolvendo o pagamento de propina a políticos pelos donos da J&F, Joesley e Wesley Batista.
A J&F também é controladora do frigorífico JBS, que anunciou em junho a venda de ativos na Argentina, Paraguai e Uruguai para a rival Minerva, para reduzir seu endividamento e levantar recursos.
A transação, porém, está suspensa pela Justiça por conta de investigações que apuram irregularidades na concessão de crédito à JBS pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). (AG)
