Um preso chinês condenado à morte foi executado por enforcamento nesta quinta-feira (26) no Japão, informou o Ministério da Justiça, referindo-se à terceira execução de 2019 no país. “O condenado no corredor da morte, Wei Wei, foi executado esta manhã”, afirma o Ministério em um comunicado.
Wei Wei, de 40 anos, foi condenado à forca pelo assassinato em 2003, com o objetivo de assalto, de um casal e seus dois filhos em Fukuoka (sudoeste).
“Um ato extremamente cruel”, segundo o Ministério.
Ele atuou com dois cúmplices chineses que fugiram, mas depois foram presos na China.
No processo, Wei Wei admitiu os fatos, mas negou ser o autor intelectual.
Ao todo, 110 presos estão no corredor da morte nas instituições carcerárias japonesas, alguns deles há décadas.
Esta foi a terceira execução do ano, um número significativamente menor em comparação a 2018, quando foram aplicadas 15 condenações de pena capital.
Várias organizações de direitos humanos solicitaram uma moratória durante o ano das Olimpíadas de Tóquio em 2020, mas o Ministério da Justiça evitou responder quando foi questionado pela AFP.
No Japão, o debate sobre a pena de morte é evitado. O governo alega que, segundo pesquisas, 80% da população é a favor.
De acordo com a mesma pesquisa, porém, a proporção de apoio à pena de morte cai para apenas 50%, “se a sentença de prisão perpétua existir sem a possibilidade de (obter) liberdade condicional”.
Arábia Saudita
Um tribunal da Arábia Saudita condenou cinco pessoas à morte e prendeu outras três pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em outubro de 2018.
Khashoggi, um conhecido crítico do governo saudita, foi morto dentro do consulado do país em Istambul, na Turquia.
A promotoria pública saudita levou 11 indivíduos não identificados a julgamento após o episódio — classificado pela ONU como uma “execução extrajudicial”.
A relatora especial da ONU Agnes Callamard havia pedido que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman fosse investigado por causa do assassinato. Após o anúncio do julgamento, na segunda-feira, Callamard escreveu no Twitter: “E a farsa da investigação, acusação e justiça continuam”.
O príncipe Salman sempre negou qualquer envolvimento com o crime. Em outubro, no entanto, ele disse que assumia, pelo crime, “total responsabilidade como líder na Arábia Saudita, principalmente porque foi cometido por indivíduos que trabalham para o governo saudita”.
Um assessor sênior do príncipe, Saud al-Qahtani, foi demitido e investigado pelo assassinato, mas não foi acusado por falta de “evidências suficientes”, segundo a promotoria pública.
O ex-vice-chefe de inteligência saudita Ahmad Asiri foi julgado, mas absolvido pelos mesmos motivos.
O jornalista, que tinha 59 anos e trabalhava como colunista do jornal Washington Post, foi visto pela última vez no dia 2 de outubro de 2018, quando entrou no consulado saudita em busca de documentos para seu casamento com a noiva, Hatice Cengiz.
Depois de escutar supostas gravações de conversas registradas dentro do consulado pela inteligência turca, a relatora Callamard concluiu que Khashoggi foi “brutalmente assassinado” naquele dia.
O promotor público saudita Shalaan Shalaan disse a jornalistas em novembro de 2018 que o assassinato foi ordenado pelo chefe de uma “equipe de negociações” que tinha sido enviada a Istambul pelo serviço de inteligência saudita para trazer Khashoggi de volta à Arábia Saudita “por persuasão” ou, se necessário, “pela força”.
Os investigadores concluíram que Khashoggi foi imobilizado e recebeu altas doses de uma droga, o que resultou em overdose seguida de morte.
O corpo foi esquartejado e levado a um “colaborador” local fora do consulado, afirmou Shalaan. Os restos mortais nunca foram encontrados.
