O Tribunal Constitucional da Espanha suspendeu temporariamente uma sessão do Parlamento catalão prevista para segunda-feira, durante a qual os líderes locais deveriam declarar a independência unilateral da Catalunha. A decisão veio após um pedido do Partido Socialista Catalão, contrário ao referendo, que argumento que, se o plenário declarasse a separação da Espanha, haveria uma violação da Constituição.
Segundo o governo catalão, o referendo de independência, considerado inconstitucional, teve mais de 90% dos votos a favor da separação da Espanha. A participação eleitoral chegou a pouco mais de 42%, já que a Polícia Nacional tentou impedir a votação e a maior parte dos catalães que desejam permanecer na Espanha boicotou a votação. A polícia de choque espanhola usou cacetetes e balas de borracha contra eleitores, desencadeando críticas internacionais e arrastando a Espanha para sua maior crise constitucional em décadas.
Em entrevista à agência EFE, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, exigiu que a Catalunha volte à legalidade e que suprima seus planos de independência porque, segundo ele, é a melhor solução para evitar males maiores.
“Tem uma solução? Sim, a melhor é a volta rápida à legalidade a à afirmação mais rápida possível de que não vai haver uma declaração unilateral de independência, porque com isso serão evitados males maiores”, falou Rajoy.
As posições entre Barcelona e o governo central de Mariano Rajoy se distanciam cada dia mais depois da votação de domingo na Catalunha, marcada pela violência policial ao tentar impedi-la, e ninguém quer ceder. O líder catalão, Carles Puigdemont, reiterou em diferentes ocasiões a necessidade de uma mediação entre ambos os executivos para solucionar uma das piores crises nas últimas décadas na Espanha.
Em um discurso televisionado nesta quarta-feira, o presidente catalão acusou o governo espanhol de não aceitar nenhuma das opções de mediação que já estão sobre a mesa, entre elas uma do presidente regional do País Basco, Íñigo Urkullu.
“Acredito, com toda a sinceridade, que pode se tornar uma grande irresponsabilidade”, assegurou Puigdemont.
Em um comunicado posterior, o governo regional reiterou que se o senhor Puigdemont quer falar, negociar, ou enviar mediadores, sabe perfeitamente o que deve fazer antes: voltar aos trilhos da lei, que nunca deveria ter abandonado.
“Puigdemont está absolutamente fora da realidade. É vergonhoso que ele lembre o rei de suas obrigações constitucionais quando estamos aqui hoje, precisamente porque ele esqueceu as suas” respondeu logo depois a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, em uma breve aparição. “O presidente da Generalitat (governo catalão) provocou uma divisão nunca vista entre os catalães e o fez contra o rei, contra a Europa e contra os próprios catalães que viram a mensagem do monarca de terça-feira como um bálsamo.”
Santa María afirmou que a Catalunha nunca viveu uma ruptura como a de agora e pediu ao presidente catalão o respeito à Espanha e à Catalunha e aos catalães que, segundo ela, não merecem viver o que estão vivendo.
“Isso não é uma ditadura de pensamento único. Cada passo que Puigdemont dá provoca mais desassossego e não vai a lugar nenhum. Há muito tempo ele vive fora da realidade.”
O discurso do rei Felipe VI, sem uma menção aos feridos pelas ações policiais, não contribuiu para a distensão e, inclusive, foi criticado por líderes do partido socialista na região, também muito críticos ao governo de Puigdemont. Antes mesmo do discurso de Puigdemont, o porta-voz de seu governo, Jordi Turull, havia dito que essas palavras serviram unicamente para “jogar gasolina no fogo”. No pronunciamento, Felipe VI acusou os líderes catalães de deslealdade e afirmou que é responsabilidade dos legítimos poderes do Estado assegurar a ordem constitucional.
