O Tribunal Distrital de Tóquio (Japão) disse nesta sexta-feira (12) que prorrogou período de detenção de Carlos Ghosn por oito dias, dando aos procuradores até 22 de abril para apresentar acusações formais contra o ex-chefe da Nissan ou libertá-lo. As informações são das agências de notícias Reuters e AFP.
Ghosn foi preso pela quarta vez na semana passada, sob suspeita de ter tentado enriquecer às custas da Nissan, no valor de 5 milhões de dólares.
Ele também está aguardando julgamento por outras acusações de má conduta financeira e violação de confiança. Ghosn, que foi libertado sob uma fiança de 9 milhões de dólares no início de março, depois de passar 108 dias na prisão, negou todas as acusações contra ele.
O período inicial de detenção de Ghosn estava previsto para expirar no domingo, e era amplamente esperado que fosse prorrogado por no máximo 10 dias. A emissora pública NHK disse que é raro que o pedido de prorrogação total dos promotores seja negado e encurtado.
A equipe de defesa de Ghosn lançou uma batalha pública feroz contra os procuradores de Tóquio, chamando a última prisão de “ilegal” em documentos vistos pela Reuters.
Mais tarde nesta sexta-feira, um tribunal rejeitou a apelação da equipe de defesa contra a prorrogação, o que significa que a equipe pode ter que fazer um novo pedido de fiança se Ghosn for indiciado por novas acusações no final de sua nova detenção.
Traição
Em um vídeo divulgado na terça-feira (9) e gravado antes de sua detenção, Ghosn repetiu que é inocente ao mesmo tempo que acusou os diretores da Nissan de “traição”.
O principal advogado do executivo, Junichiro Hironaka, anunciou que apresentará na quarta-feira um recurso à Suprema Corte para solicitar a libertação de seu cliente.
“Não é uma história de ganância, de ditadura de um homem. É uma história de complô, de conspiração, traição”, declarou Ghosn, em inglês, em sua mensagem.
Os nomes dos diretores citados por Ghosn foram cortados da edição, a pedido de seus advogados.
“Sou inocente, esta é minha primeira mensagem. Não é algo novo, eu já afirmei: sou inocente de todas as acusações”, insistiu no início da gravação, divulgada durante uma entrevista coletiva de seu advogado.
Ghosn reiterou que as acusações são um “complô” contra ele.
“Havia medo de que na próxima etapa da aliança a autonomia da Nissan seria ameaçada”, disse, antes de recordar que sempre foi um “ferrenho defensor da autonomia”.
Ghosn enfrenta no Japão três acusações fundamentais: as duas primeiras se referem ao alegado desvio de quase US$ 80 milhões (R$ 308 milhões) e às manobras para esconder os recursos dos próprios acionistas.
A terceira acusação diz respeito à tentativa de transferir para a Nissan dívidas pessoais.
O empresário, detido em novembro, foi libertado após o pagamento de fiança, mas na semana passada foi novamente detido.
Os promotores japoneses acreditam que Ghosn desviou recursos da Nissan que totalizam US$15 milhões entre o fim de 2015 e meados de 2018, e que utilizou quase US$ 5 milhões em benefício próprio.
