Uma suposta nova propriedade oculta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido alardeada no WhatsApp – dessa vez, o petista preso em Curitiba (PR) é acusado de ser dono de uma mansão em Punta del Este, no Uruguai. No entanto, não houve denúncia formal apresentada sobre esse caso e Lula não foi indiciado ou responde a processo criminal relativo a esse assunto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A mensagem que circula no WhatsApp alega que a mansão uruguaia teria sido citada na delação do ex-ministro Antonio Palocci – porém, não há menção a isso nos termos de colaboração do petista divulgados a partir de outubro do ano passado. Também não existe referência a propriedades no Uruguai na delação da Odebrecht.
A corrente de WhatsApp é acompanhada de um vídeo de uma emissora em espanhol – a mensagem diz que “já está passando em todos os jornais de lá (do Uruguai)”. A reportagem, na verdade, é de 2016 e repercute uma publicação da revista IstoÉ que informava que a força-tarefa da Operação Lava-ato investigava se a mansão de Punta del Este pertenceria a Lula. Mas, como dito anteriormente, a apuração ainda não resultou em denúncia formal.
Segundo a reportagem, a casa estaria registrada no nome do empresário do ramo de calçados Alexandre Grendene Bertelle. Ele nega que a mansão seja de sua propriedade, conforme diz em documento anexado à reportagem publicada.
O blog Estadão Verifica entrou em contato com o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná, que comunicou apenas que não “confirma ou nega eventuais investigações em andamento”.
Diante disso, é possível afirmar que não há evidências suficientes que liguem Lula à mansão de Punta del Este. Este boato também foi desmentido pelo E-Farsas e Boatos.Org.
Boato sobre obras em rodovia
Um outro boato que circula no WhatsApp atribui ao governo de Jair Bolsonaro o início das obras de pavimentação da rodovia BR-163, no Pará, “após 30 anos de promessas de todos os governos que passaram por este país.” A informação, no entanto, é falsa: as obras de asfaltamento, capitaneadas pelo Exército, começaram em setembro de 2017, segundo nota enviada ao Estadão Verifica pelo Centro de Comunicação Social dos militares.
A mensagem enganosa circula em texto e em vídeo. Nas imagens, um caminhoneiro passa pela obra e, ao comentá-la, diz que ela reflete o início do governo Bolsonaro. Há também um vídeo antigo do Exército, publicado em fevereiro de 2018, sendo compartilhado como se fosse deste ano.
O texto, que ainda questiona se o leitor “ouviu ou viu isso em alguma mídia brasileira” e acusa a imprensa de desinformar a sociedade, traz a assinatura de Bolsonaro, como se o presidente a tivesse escrito. Isso também é mentira.
O Exército assumiu as obras em agosto de 2017 e começou a atuar de fato em setembro. A vigência do projeto vai até 24 de fevereiro de 2020. Além desse projeto, está em prática naquela região a Operação Radar, um apoio emergencial dos militares devido às chuvas. Iniciada em 10 de dezembro do ano passado, ela deve durar um ano. Este boato também foi desmentido pelos sites Boatos.org e E-farsas.
