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A Justiça subiu para 25 anos de prisão a condenação da ex-presidente da Coreia do Sul

A ex-presidente Park Geun-hye chegou a visitar o Brasil. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Um tribunal de apelação da Coreia do Sul subiu, nesta sexta-feira (24), para 25 anos de prisão a condenação da ex-presidente Park Geun-hye pelo seu envolvimento na trama de corrupção da “Rasputina”, que forçou sua destituição em janeiro do ano passado, informou a agência local de notícias “Yonhap”.

A Suprema Corte de Seul subiu mais um ano a condenação de Park, de 66 anos, e ordenou que ela pague uma multa de 20 bilhões de wons (cerca de US$ 18 milhões), 2 bilhões de wons (cerca de US$ 2 milhões) a mais aos que foram impostos na sentença inicial.

A decisão da apelação acontece quatro meses depois que a Suprema Corte de Seul condenasse Park a 24 anos de prisão e que pagasse uma multa multimilionária, após ser considerada culpada de 16 das 18 acusações em relação ao caso da “Rasputina”, entre eles abuso de poder, suborno e coação.

A Promotoria apelou da sentença, emitida no início de abril, e manteve a petição de 30 anos de prisão (e uma multa de 91 milhões de euros) para a ex-governante, por criar com sua amiga Choi Soon-sil, apelidada de “Rasputina”, uma rede de favores através da qual extorquiram grandes empresas como Samsung, Hyundai e Lotte.

O escândalo fez com que Park deixasse o cargo, motivando a antecipação das eleições para maio de 2017, que terminaram com a vitória de Moon Jae-in.

Com isso, ela se tornou na terceira ex-chefe de Estado sul-coreano a ir para prisão, após os militares e políticos Chun Doo-hwan e Roh Tae-woo.

Park, que não esteve presente na sessão, não aparece diante dos juízes desde outubro do ano passado, quando sua prisão preventiva foi prolongada, e sempre descreveu seu processo como parcial e motivado politicamente.

Diferente do que ocorreu com a leitura da sentença, no mês de abril, a sessão não foi transmitida ao vivo pela TV.

A corte também comutou a pena do ex-assessor da presidência, Ahn Jong-beom, de seis para cinco anos.

Impeachment

A turbulenta situação na península coreana ganhou um ingrediente adicional em 10 de março de 2017, quando por unanimidade, e sob tremenda pressão popular, o Tribunal Constitucional sul-coreano aprovou a destituição da presidenta Park Geun-hye, envolvida no maior escândalo de corrupção e tráfico de influência das últimas décadas no país. Trata-se de uma decisão histórica, pois nunca até então um líder eleito nas urnas havia sofrido um impeachment na Coreia do Sul.

A audiência judicial já havia gerado uma enorme expectativa. A Polícia, prevendo tumultos, cercou a Casa Azul, residência presidencial onde Park continuava vivendo apesar de ter sido afastada do cargo em dezembro de 2016. Dois seguidores dela morreram em confronto com as forças de segurança durante protestos após o anúncio da destituição.

Contrariando as normas habituais, a leitura do veredicto foi televisionada. O processo durou apenas 20 minutos. Os oito juízes confirmaram a decisão de dezembro da Assembleia Nacional e declararam que Park “prejudicou seriamente o espírito democrático e de respeito às leis”. “A presidenta Park Geun-hye (…) foi destituída”, declarou o presidente do tribunal, Lee Jung-mi, na ocasião.

Park, de 65 anos, filha do ex-ditador militar Park Chung-hee, tornou-se em 2012 a primeira mulher eleita para governar o seu país, com um programa conservador e a promessa de manter pulso firme contra Coreia do Norte. Apesar de ter tido a maior votação da história sul-coreana, saiu como a líder mais impopular. Sua aprovação chegou a cerca de 4% e, num exemplo dos resultados que a pressão popular pode obter, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas durante semanas para exigir sua destituição, até que a Assembleia Nacional aprovou o impeachment.

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