O economista Roberto Campos utilizava uma expressão do chanceler prussiano/alemão Otto von Bismarck, na qual dividia a humanidade em três grupos:
Os inteligentes, os que aprendem com a experiência dos outros.
Os medíocres ou medianos, que aprendem com a sua própria experiência.
Por fim os idiotas, que não aprendem nunca!
Com isso, é possível afirmar que aprender com as experiências alheias é um ótimo negócio e aprender com os próprios erros ainda é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade.
Por exemplo :
O Presidente Herbert Hoover (1929 -1933) governou os EUA durante a grande depressão, foi considerado um “desumano” na época.
Contudo, sua postura foi valiosa para sociedade americana compreender a importância de sermos responsáveis por nossas escolhas e de aprendermos com os erros e fracassos.
Hoover assumiu a Presidência da República meses antes de iniciar a crise e não tinha (nem ele e nem ninguém), a noção do tamanho do problema que encontrariam pela frente.
Neste contexto, negou ajuda aos estados com problemas financeiros.
Hoover sustentava que a péssima situação de alguns estados federados era decorrente de maus gestores, ou seja , as “escolhas erradas nas eleições locais”.
Este foi o argumento central usado para responsabilizar os governadores e prefeitos pela gravidade e efeitos da grande depressão de 1929.
Hoover estava correto, porém em circunstâncias erradas, uma vez que ninguém à época tinha elementos para avaliar a dimensão que alcançaria a crise.
Hoover defendia o rugged individualismo (individualismo robusto), sustentando que os estados deveriam perseguir a autossuficiência e o empreendedorismo individual com a mínima intervenção do governo nos negócios.
Em sua visão, Hoover era convicto que o sucesso vinha do esforço próprio, da luta pessoal, e se houver ajuda será voluntária e privada.
“A grandeza americana depende do povo ser forte para superar dificuldades sem depender de esmolas ou programas sociais”, afirmava Hoover.
Mesmo cedendo ao final do mandato, a postura rígida custou-lhe todo seu prestígio político e também agravou a grande depressão americana.
Contudo, essa “filosofia” foi uma lição que abriu caminhos e serviu de inspiração, foi a base para que o novo presidente, Franklin Roosevelt, desenvolvesse a política do New Deal (Novo Contrato).
Roosevelt reorganizou o capitalismo norte americano e os limites da atuação do governo na economia.
Para Roosevelt, o papel do governo federal deveria ser o de um ‘árbitro’, e não de um ‘jogador’.
Isso significa que o Estado (Governo Federal) deveria apenas garantir que as regras do jogo fossem justas, como proteger a propriedade privada e os direitos individuais, mas nunca intervir na economia ou fornecer assistência social direta. Essa foi a regra de ouro.
Passados praticamente 100 anos é possível perceber que os norte-americanos aprenderam com seus erros e acertos e avançaram.
A política defendida pelo presidente Herbert Hoover, há 100 anos atrás, com erros e acertos, foram aperfeiçoados e assimilados na cultura Norte-americana.
Mais ou menos na mesma época, em 1930, o Brasil iniciava a “Era Vargas” caracterizada por um forte populismo e assistencialismo demagógico.
Há mais de 80 anos o Estado brasileiro se intromete nas relações entre capital e trabalho. Foi tudo errado ? Não . Houve acertos sim , mas os erros ou equívocos permanecem por muito tempo.
O assistencialismo de programas sociais não podem se transformar em políticas públicas permanentes, sob pena de perder sua lógica. O assistencialismo estatal não pode se transformar em uma tradição de pai para filho.
No Brasil, além de não aprendermos com os erros, insistimos em inovar com fórmulas criativas e de pouca ou quase nenhuma eficiência.
“O principal resultado de não admitir um erro é que você é forçado a cometer outros para tentar justificá-lo.”
Arthur Conan Doyle.
Há na população brasileira uma espécie de conformismo subliminar que nos faz acreditar que essa “esparrela evolutiva” é parte da nossa cultura.
Resultado:
Os norte-americanos perseguem alcançar a condição ideal, enquanto aqui nós nos vangloriamos em conseguir “um mais com menor esforço.”
O chanceler Bismarck tinha razão.
Rogério Pons da Silva
