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A lista dos invisíveis

(Foto: Reprodução)

Uma história real e emocionante, “A Arca de Schindler”, livro publicado em 1982 pelo romancista australiano Thomas Keneally, posteriormente sucesso nas telas de cinema com o filme A Lista de Schindler.

Na história, o empresário alemão Oskar Schindler, durante a 2ª Guerra Mundial, por iniciativa própria, salva crianças de irem para campos de concentração ao embarcarem no temido trem da morte.

Aproximadamente 1.200 pessoas foram salvas pela atitude de Oskar Schindler, que em algum momento teve sua consciência falando mais alto do que tudo.

A história de Schindler tem mais de 80 anos, e aqui nenhuma referência à barbárie daqueles tempos sombrios.

Me refiro apenas à solidariedade, ou à falta dela, pela indiferença a um drama social tão presente em nosso cotidiano e bem aqui, pertinho de nós.

O amigo e leitor Walter R. Treptow, gaúcho radicado na Paraíba, nos ensina:

Solidariedade é uma aula prática!

Em Porto Alegre circulam em torno de 5.200 pessoas conhecidas como “em situação de rua”; são humanos que aguardam em silêncio por uma iniciativa, um resgate humanitário efetivo, para que não embarquem no trem para uma última “viagem”.

O impressionante é que, no cinema, apesar de ser uma história real, os espectadores assistem a uma produção artística com atores profissionais, trilha sonora e efeitos especiais.

Neste ambiente, todos se comovem, e a emoção arranca lágrimas da plateia.

Ele é um herói! Que coragem, desprendimento e sensibilidade, tudo para salvar vidas humanas!

“Eu faria o mesmo no lugar dele”, pensamos, emocionados!

Só na teoria.

As emoções seletivas se encarregam de fazer o interesse se voltar por temas que não estão ao alcance de resolver.

Seja na política nacional ou na guerra da Ucrânia, do Irã e da Groenlândia.

Os problemas palpáveis da comunidade passam batido!

A lista dos invisíveis é como um filme que não sai de cartaz, com cenas que não estão em exibição em salas com ar-condicionado.

As cenas são em 3D e na rua mesmo, sem pagar ingressos, sem poltronas macias, sem pipocas, sem trilha sonora, mas com toda a possível indiferença.

São cenas liberadas para todas as idades, em qualquer via pública da capital, sem dia e hora para começar a “sessão”. Basta andar pelas ruas.

Não é ficção, é o mundo real: pessoas que tiveram suas vontades e autonomia sequestradas, pedindo por socorro.

Nos bastidores destas tragédias existe uma legislação equivocada, baseada em teorias de liberdade e ações públicas paliativas, que mais enxugam gelo do que realizam algo efetivo.

Lei boa é lei prática e efetiva!

O contingente dos “em situação de rua” só não aumenta mais porque os personagens protagonistas partem anônimos em seu “último trem”, no escuro e no silêncio.

* Rogério Pons da Silva – Jornalista e empresário (rponsdasilva@gmail.com)

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