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A Motorola, criadora do celular, será aposentada

Empresa reinou absoluta entre os celulares até ser superada pela Nokia, em 1998. (Crédito: Reprodução)

Em abril de 1973, o então engenheiro da Motorola Martin Cooper realizou a primeira demonstração pública de um celular de mão. Uma década depois, a empresa lançou o DynaTAC 8000X, primeiro aparelho comercial. Este ano, a icônica marca será aposentada. A informação foi divulgada pelo diretor de operações da companhia, Rick Osterloh, durante a CES (Consumer Electronics Show), maior feira de tecnologia do mundo, em Las Vegas (EUA).

“Lentamente nós vamos aposentar a Motorola. E vamos focar no Moto”, disse Osterloh, em entrevista ao site Cnet.

Em comunicado, a Motorola Mobility Brasil confirmou a mudança, mas ressaltou que a companhia “continua a existir como parte do grupo Lenovo, liderando as áreas de engenharia e design de todos os nossos produtos móveis. Como estratégia de marketing, a empresa segue globalmente com duas marcas em smartphones e wearables: ‘Moto’ e ‘Vibe’”.

A mudança ainda não tem data para acontecer, e, para os consumidores, nada se altera. Segundo Edson Bortolli, diretor de produtos da Motorola para a América Latina, trata-se de uma estratégia de aposta nas marcas “Moto” (topo de linha) e “Vibe” (produtos de entrada). E com a unificação dos times, mercados como o brasileiro passarão a receber toda a linha de smartphones da Lenovo. O primeiro lançamento aconteceu em dezembro último, com o Vibe A 7010.

A história de ascensão e queda é uma constante no ágil mercado de tecnologia, que não perdoa a falta de inovação nem as escolhas equivocadas. Fundada em 1928, a Motorola se destacou pela produção de equipamentos de rádio, equipando até a espaçonave que levou o primeiro homem à Lua. Mas foi entre os celulares que reinou absoluta, até ser superada pela Nokia, em 1998, segundo dados da consultoria Gartner. Na época, analistas apontaram o primeiro erro da companhia, que foi a aposta no segmento analógico, enquanto a rival já havia feito a transição para o digital.

Ano a ano, a Motorola perdia espaço no mercado criado por ela. Em 2004, a companhia perdeu a segunda posição no marketshare para a Samsung. Nem mesmo o sucesso estrondoso do Razr V3, com cerca de 150 milhões de unidades vendidas, foi capaz de recuperar a companhia. Para analistas, aliás, o aparelho foi um dos culpados pelo ocaso da empresa.

Em crise, a companhia se dividiu, em 2011, entre a Motorola Solutions, voltada para o mercado corporativo; e a Motorola Mobility, com o negócio de dispositivos móveis, que foi adquirida pela Google no ano seguinte por 12,5 bilhões de dólares. A parceria entre o dono do Android e a reconhecida fabricante de hardware reanimou o negócio, principalmente após o lançamento das linhas Moto X, Moto G e Moto E. Mas em janeiro de 2014, o Google surpreendeu o mercado ao anunciar a venda da Motorola Mobility para a Lenovo, por 2,9 bilhões de dólares.


“Tesouro” abandonado.

Logo após a aquisição, o diretor executivo da Lenovo, Yang Yuanqing, tratou a marca como um “tesouro” e afirmou que o plano era “não apenas proteger a marca Motorola, mas fortalecê-la”. Mas não foi o que aconteceu.

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