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A Nasa “aposenta” o telescópio espacial “caçador de planetas”

Ilustração mostra o telescópio espacial Kepler tendo ao fundo o sistema designado Kepler-90: com oito planetas, em 2017 ele foi o primeiro a se igualar ao nosso no número de objetos conhecidos. (Foto: Nasa)

Como já estava previsto desde o início do ano, chegou o fim da linha para o telescópio espacial Kepler, que ficou conhecido como o “caçador de exoplanetas”. A Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, anunciou a “morte” do Kepler na terça-feira (30), explicando que o motivo para o triste fim do telescópio é mesmo o que já esperávamos: acabou-se o combustível.

O Kepler entrou para a história por ter permitido a descoberta de mais de 2.600 exoplanetas (aqueles que orbitam outras estrelas além do nosso Sol) e, graças a dados obtidos por meio dele, pudemos colher uma amostra estatística razoável sobre outros sistemas estelares, verificando que entre 20 e 50% das estrelas da Via Láctea têm planetas potencialmente rochosos nas zonas habitáveis de seus sistemas. E nada disso era sabido até pouquíssimo tempo atrás — apenas especulado.

A missão do Kepler começou em 2009, sendo que, em 2013, um de seus giroscópios falhou. Mas a Nasa conseguiu estabilizar o apontamento do telescópio no ano seguinte usando a pressão da radiação solar como se fosse um giroscópio adicional e, assim, nasceu a missão K2, proporcionando mais uma série de descobertas sem precedentes até agora, em 2018.

Na semana passada, então, o Kepler foi colocado em modo de segurança por já estar com um nível muito baixo de combustível e, agora, depois de baixar o último lote de dados coletados por ele, a agência espacial decidiu aposentá-lo de uma vez por todas.

Nas palavras de Thomas Zurbuchen, vice-administrador do diretório de ciência espacial da Nasa: “Como a primeira missão caçadora de exoplanetas da Nasa, o Kepler superou vastamente todas as nossas expectativas, pavimentando o caminho para a nossa exploração e busca por vida no Sistema Solar, e além. Não somente ele nos mostrou que muitos planetas existem lá fora, como ele alavancou um novo e robusto campo de pesquisa que tomou a comunidade científica como se fosse uma tempestade. Suas descobertas jogaram nova luz sobre nosso lugar no universo e iluminaram mistérios e possibilidades tantalizantes entre as estrelas”.

Já William Borucki, cientista aposentado do Ames Research Center da Nasa, disse que “quando começamos a conceber esta missão há 35 anos, não conhecíamos um único planeta fora do Sistema Solar” e “agora que sabemos que planetas estão por toda parte, o Kepler nos colocou em um novo curso que é promissor para as futuras gerações explorarem nossa galáxia”.

Lançado no dia 6 de março de 2009, o Kepler foi construído com técnicas de ponta na medição do brilho de estrelas (permitindo a análise do trânsito — quando planetas passam em frente a uma estrela, há uma variação de brilho que pode ser observada daqui da Terra) e também contando com a maior câmera digital até então já desenvolvida para observar o espaço. Seu sucessor é o telescópio TESS, lançado ao espaço em abril de 2018, com a missão de continuar a “caça” por exoplanetas iniciada pelo Kepler (mas em proporções ainda maiores).

Com o TESS aliado à evolução da computação, espera-se que os cientistas possam identificar planetas em trânsito não somente com mais facilidade, mas também com uma riqueza ainda maior de detalhes. Muitos outros mundos ainda serão descobertos e, quem sabe, em um futuro não muito distante teremos a confirmação de que existe vida em outros planetas além da Terra.

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