Em cerimônia realizada na noite de quinta-feira (31) o advogado Felipe Santa Cruz, 46 anos, foi eleito o novo presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Conselheiro federal e ex-presidente da OAB-RJ, onde ficou por dois mandatos seguidos, Felipe Santa Cruz irá substituir Cláudio Lamachia e comandará a entidade até 2022. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da OAB.
Pernambucano criado no Rio Grande do Sul o advogado se formou na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e tem mestrado em direito e sociologia pela UFF (Universidade Federal Fluminense).
Felipe Santa Cruz é filho de Fernando Santa Cruz, militante de esquerda e desaparecido político desde março de 1974. De acordo com o delegado Cláudio Guerra no livro “Memórias de uma Guerra Suja”, o corpo de Fernando Santa Cruz foi queimado na Usina de Cambahyba, na região de Campos, norte do Rio.
Esse histórico, inclusive, fez com que Felipe pedisse a cassação do mandato de Jair Bolsonaro, então deputado federal. A desavença começou em 2011, quando, numa palestra na Universidade Federal Fluminense, disse que Fernando Santa Cruz “deve ter morrido bêbado em algum acidente de carnaval”.
No comando da OAB-RJ, Felipe, em 2016, pediu a cassação do mandato deputado federal de Jair Bolsonaro por “apologia à tortura”, após o parlamentar ter, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, homenageado o coronel Carlos Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi em São Paulo.
À época, Felipe afirmou que a imunidade parlamentar não poderia ser utilizada para “salvaguardar atitudes criminosas”.
Comando
Santa Cruz estará no comando da OAB Nacional no triênio 2019-2022. A chapa “OAB Forte e Unida”, encabeçada por Santa Cruz, elegeu ainda o ex-presidente da OAB-BA Luiz Viana para o cargo de vice-presidente da OAB, o ex-diretor-geral da Escola Nacional de Advocacia (ENA) José Alberto Simonetti para o cargo de secretário-geral, o conselheiro federal pelo Mato Grosso do Sul, Ary Raghiant Neto, para o cargo de secretário-geral adjunto e o ex-presidente da OAB-PR José Augusto Araújo de Noronha como diretor tesoureiro.
“Digo que quem assume essa cadeira não pode substituir. Há cargos que são passíveis de substituição, outros no máximo somos sucessores. Eu aqui assumo uma parcela do comando dessa nau, esperando que o tempo que se apresenta à frente melhore, porque isso é o que sonhamos para a sociedade brasileira. Não há país que possa progredir no conflito, o país precisa de técnica, de rotina e de respeito. Seguirei trabalhando. Essa é uma chapa de situação e o primeiro compromisso é seguir marchando, trabalhando. A sociedade precisa de uma Ordem que tenha a força de dizer que aqueles que não têm voz, terão a voz do Conselho Federal da OAB. Aqueles que estão frágeis, terão a voz das mais de oito décadas dessa instituição para lhes defender. Aqueles que acham que o processo civilizatório terá interrupção, terão a voz da Ordem dos Advogados, ainda que seja a custo alto, a custo de enfrentamos, porque coragem não nos falta”, disse o presidente eleito.
