Uma das linhas de investigação sobre o banco da Odebrecht no Caribe, usado para o pagamento de propina, trabalha com a suspeita de que a empreiteira manteve com o Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava, operação similar a do sistema dólar-cabo, como os doleiros chamam um conhecido esquema de lavagem de dinheiro.
O dólar-cabo permite troca de recursos entre dois parceiros, no Brasil e no exterior, como se fosse um banco paralelo de compensações, sem a necessidade de movimentar o dinheiro de fato. Funciona na base da confiança. Para os investigadores, enquanto a Odebrecht teria usado o caixa dois da cervejaria para distribuir recursos a políticos, a Itaipava se valeria da empreiteira no exterior para pagar em moeda estrangeira os insumos necessários à produção de cerveja, do malte à lata de alumínio.
Em delação premiada, Vinícius Veiga Borin, apontado como um dos operadores do departamento de propina da Odebrecht, detalhou como terceiros foram usados pela empreiteira para adquirir o Meinl Bank Antígua, no arquipélago caribenho de Antígua e Barbuda. Um desses sócios foi Vanuê Antônio da Silva Faria, ex-membro do Conselho da Administração da Itaipava, que deixou a cervejeira após romper com o tio, Walter Faria, o dono do grupo. (AG)
