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A Operação Lava-Jato investiga a relação de pagamentos da Oi com a compra do sítio de Atibaia

A proposta é de pagar 20% do valor de entrada no próximo dia 10 de maio. (Foto: Reprodução)

Em uma nova fase da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público investigam pagamentos suspeitos de R$ 132 milhões da Oi para empresas ligadas ao filho do ex-presidente Lula, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Segundo as apurações, parte desses recursos pode ter sido usada para a compra do sítio de Atibaia, também em benefício do ex-presidente. O sítio é pivô de uma das duas condenações já impostas a Lula na Lava-Jato, que tratou apenas do custeio de reformas na propriedade. As informações são do jornal O Globo.

Fabio Luis é sócio de Fernando Bittar , Kalil Bittar e do empresário Jonas Suassuna em pelo menos nove empresas. Bittar e Suassuna aparecem como proprietários dos dois terrenos que, juntos, formam o sítio de Atibaia.

Segundo os investigadores, há a suspeita de que Bittar e Suassuna tenham utilizado parte dos valores recebidos do Grupo Oi/Telemar para a aquisição da propriedade.

“A investigação se inicia a partir do aprofundamento de uma ação penal na qual o ex-presidente Lula foi denunciado e condenado por ter participado de um esquema criminoso que envolveu o repasse por duas empreiteiras de valores para reforma no sítio de Atibaia”, lembrou o procurador Roberson Pozzobon, do MPF.

“A maior parte do dinheiro empregado para a aquisição (do Sítio de Atibaia) pode ter tido origem nos recursos repassados pelo grupo Oi/Telemar para um complexo de empresas criadas por Fabio Luis Lula da Silva, Jonas Suassuna, Kalil e Fernando Bittar”, continuou.

Na operação desta terça-feira, a juíza Gabriela Hardt, substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, autorizou o cumprimento de 47 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal.

De acordo com o despacho da juíza, ao analisar as movimentações bancárias de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, o MPF identificou indícios de que o dinheiro usado por Bittar e Suassuna para a compra de propriedades rurais pode ter como origem recursos ilícitos recebidos por intermédio de empresas vinculadas a Oi/Telemar.

Hardt lembrou que Suassuna fez uma transferência de R$ 1 milhão em outubro de 2010 para a aquisição do sítio Santa Denise, nome de registro de um dos terrenos do sítio de Atibaia. A magistrada destacou ainda que os recursos mantidos nas contas de Suassuna tinham origem de transferências de empresas do Grupo Gol, em particular a PJA Empreendimentos LTDA. Por sua vez, tal empresa recebeu recursos do Grupo Oi/Telemar.

A magistrada lembrou, também, que Bittar movimentou em sua conta recursos originários de empresas como G4 Entretenimento, Gamecorp, Editoral Gol e Coskin, das quais é sócio, para comprar o sítio Santa Bárbara – segundo terreno que integra o sítio de Atibaia – por R$ 500 mil. A defesa de Bittar alega que na mesma época, ele recebeu uma doação do pai, Jacó Bittar, no mesmo valor, e que esta seria a real origem do pagamento pelo sítio.

Defesa

Em sua conta oficial no Twitter, o ex-presidente afirmou que a operação é uma “demonstração pirotécnica de procuradores viciados em holofotes”. A defesa de Lula também sustenta que não há provas de que ele beneficiou OAS e Odebrecht em troca de contratos da Petrobras. Nesse sentido, os advogados que a Lava-Jato não conseguiu comprovar qualquer contrapartida do líder petista para as empresas.

A defesa de Fernando Bittar viu a operação desta terça com estranheza. “O próprio MPF já reconheceu que o dinheiro para a compra do sítio veio do pai do Fernando e do Kalil. Estranho que esse caso venha à tona justamente agora”, declarou Alberto Toron. – De qualquer modo vamos esperar o resultado da diligência da Polícia Federal para nos manifestarmos.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, o diretor de operações da Oi, Rodrigo Abreu, afirmou que a empresa de telefonia tem colaborado com as investigações Ministério Público Federal (MPF), além de ter instituído “grupos de auditoria forense” internamente para checar a natureza das operações feitas com a Gamecorp. O atual Conselho de Administração tomou posse em setembro de 2018, depois que a empresa já havia entrado em recuperação judicial.

“Não cumpre à companhia fazer observações detalhadas sobre nenhum dos fatos investigados pelo MPF. Cabe à companhia fazer processos de auditoria interna e disponibilizar as informações solicitadas pelas autoridades. Vamos averiguar internamente se houve falhas de controle, para que não se repitam”, declarou Abreu.

A Oi informa que atua de forma transparente e tem prestado todas as informações e esclarecimentos que vêm sendo solicitados pelas autoridades, assegurando total e plena colaboração com as autoridades competentes.

Também alvo da operação, a Telefônica informou que vai fornecer todas as informações solicitadas pela Polícia Federal e diz que continuará contribuindo com as autoridades. A empresa diz que reitera seu compromisso com elevados padrões éticos de conduta em toda sua gestão e procedimentos.

 

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