A oposição ao governo de Jair Bolsonaro no Legislativo federal quer que o agora ex-ministro da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno vá ao Congresso Nacional prestar esclarecimentos sobre as denúncias de candidaturas de laranjas no PSL, partido do presidente da República.
Líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), havia protocolado requerimento de convocação do ministro na CTFC (Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor).
No entanto, como não é mais o titular da pasta, Bebianno não pode mais ser obrigado a comparecer. Por isso, na noite dessa segunda-feira, o senador reapresentou requerimento à CTFC, agora pedindo que o ex-chefe da Secretaria-Geral seja convidado a falar. O mesmo pedido foi apresentado à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Bebianno caiu após uma crise instalada no Palácio do Planalto com a revelação pela Folha da existência de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL para desviar dinheiro da verba pública eleitoral. A sigla era presidida interinamente por ele durante as eleições de 2018, quando Bolsonaro fez do discurso de ética e combate à corrupção um dos cavalos-de-batalha de sua campanha presidencial.
Senado
“Este episódio não será superado com a exoneração”, afirmou Randolfe, autor do requerimento. “O ministro Gustavo Bebianno fez graves e pesadas acusações ao presidente da República e ele próprio tem explicações a dar sobre como ocorreu o financiamento das candidaturas do presidente da República e do próprio presidente.”
Ainda na avaliação do senador, com a saída de Bebianno o governo perdeu um de seus poucos interlocutores com o Legislativo, o que pode dificultar a tramitação de projetos como a reforma da Previdência e o pacote anticrime.
Câmara
Na Câmara dos Deputados, o PSOL também avalia se entrará com um requerimento para convidar Bebianno. O partido havia apresentado uma convocação para que o ministro desse esclarecimentos ao plenário, mas ele não chegou a ser votado.
“O caso Bebianno não se restringe aos laranjais, porque senão teria que demitir também o ministro do Turismo, e o Luciano Bivar. O problema é que ele sabe tudo da campanha, das fake news”, afirmou o líder da legenda, Ivan Valente (SP).
A demissão de Bebianno mobilizou a oposição também nas redes sociais. “Este é o padrão do governo Bolsonaro: confusão, intrigas e uso da máquina pública para proteger seus aliados. O partido que ia acabar com a corrupção virou o Partido Só Laranja (PSL) e se afunda, cada dia mais, nos esquemas que armou”, disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS).
“O fato é que Bolsonaro é tão covarde que não tem sequer coragem de confirmar que a demissão de Bebianno é motivada pelas acusações de crime eleitoral e desvio de recursos”, disse a deputada Margarida Salomão (PT-MG).
“A demissão de Bebianno não encerra o assunto do Laranjal. Seguiremos exigindo investigações independentes e punição dos responsáveis. E esperamos que Bebianno fale o que sabe sobre as irregularidades da campanha do PSL”, escreveu Guilherme Boulos.
Filiado ao PSL, o deputado Alexandre Frota (SP), disse que, com a demissão, Bolsonaro cumpriu uma promessa. “Bebiano caiu. Bolsonaro cumpriu o que falou”, elogiou o ex-ator na internet.
