O diretor do braço europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta-feira (26) que há “sinais encorajadores” de desaceleração da pandemia de coronavírus no continente, mas destacou que a situação continua sendo grave e que novos picos poderão acontecer quando as medidas de restrição forem suspensas. Encabeçada pela Itália e pela Espanha, o continente europeu é atualmente o epicentro da crise global, registrando mais de 250 mil infecções, cerca de 60% dos casos no mundo.
“Embora a situação continue preocupante, começamos a ver sinais encorajadores”, afirmou Hans Kluge em uma entrevista coletiva virtual.
Segundo Kluge, a Itália “acaba de registrar um aumento levemente inferior, apesar de ainda ser muito cedo para dizer que a pandemia atingiu o pico no país”. Cenário similar foi visto em no balanço diário do governo espanhol desta manhã, no qual foi anunciado que o número diário de mortes caiu pela primeira vez em uma semana. Juntos, os dois países são responsáveis por mais da metade dos casos no continente: a Itália tem 74.836 infecções e 7.503 mortes e a Espanha, 56.188 infecções e 4.086 mortes.
A OMS alertou ainda que, apesar dos sinais de melhora, a Europa não deve baixar a guarda, preparando-se para possíveis segundas ou terceiras ondas da doença:
“Não será um sprint, será uma maratona”, disse Kluge, ressaltando a necessidade de um trabalho global coletivo para conter o contágio da Covid-19 pelo planeta. “Uma vez que as medidas restritivas forem revogadas, poderá haver um segundo ou terceiro pico dos casos.”
Globalmente, pela contagem da AFP, já há mais de 481.230 casos em 182 países ou territórios — número que, segundo analistas, provavelmente é maior, dada a subnotificação e os métodos diferentes de contagem e diagnóstico em diversos países. Desde que surgiu na cidade de Wuhan, na China, no início de dezembro, o Sars-CoV-2 já matou ao menos 21.867 pessoas.
À imprensa, Kluge elogiou as “medidas sem precedentes para desacelerar e interromper a transmissão da Covid-19, que nos fazem ganhar tempo e reduzem a pressão sobre os sistemas de saúde”. Diversos países europeus, tais quais a Espanha, a França e a Itália, decretaram quarentena e uma série de medidas para reduzir as taxas de contágio em seus territórios, frente ao crescimento exponencial dos casos e à superlotação de seus sistemas de saúde.
Ele, no entanto, destacou que o continente asiático mostrou-se mais preparado que a Europa frente à crise sanitária: países como o Japão, a Coreia do Sul e Cingapura conseguiram conter a epidemia melhor que as nações europeias. Isto, segundo Kluge, deve servir para ensinar lições e pôr a saúde como pauta prioritária da agenda política.
Entre as nações europeias, a Alemanha destaca-se pela maneira como vem lidando com a pandemia e por sua taxa de mortalidade relativamente baixa: com 36.508 casos diagnosticados, o país registrou apenas 198 mortes até esta quinta. No lançamento de uma iniciativa apoiada pelo governo para promover pesquisas sobre a doença, o virologista Christian Drosten atribuiu a baixa mortalidade à quantidade de testes realizados para a doença — média que, segundo ele, está em torno de 500 mil por semana.
