Um relatório divulgado nesta terça-feira (28) pela Seplag (Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão) aponta que a TPFT (Taxa de Participação na Força de Trabalho) feminina atingiu um recorde histórico no último trimestre ano passado, com 57,3%, quase três pontos percentuais acima do verificado no mesmo período de 2018. Esse crescimento ocorreu em todas as faixas etárias avaliadas.
Já no que se refere os homens, o índice permaneceu praticamente estável (72,5%, ante 72,6%). Por idade, a participação masculina apresentou uma oscilação positiva para os adolescentes e jovens de 14 a 29 anos e para adultos entre 30 e 44 anos. Na faixa de 45 a 59 anos, foi constatada uma redução, enquanto os idosos (60 anos ou mais) permaneceram no mesmo patamar.
O contingente total da FT (Força de Trabalho) no Estado – 6,1 milhões de pessoas – também registrou o seu maior índice histórico no quarto trimestre de 2019. Esse número representa um acréscimo de 146 mil pessoas empregadas ou em busca de emprego, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Elaborado pelos pesquisadores Guilherme Xavier Sobrinho e Raul Bastos, o documento teve como foco no Rio Grande do Sul, com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e Rais (Relação Anual de Informações Sociais).
A TPFT indica a porcentagem de pessoas em idade legal para trabalhar (14 anos ou mais) que estão empregadas ou em busca ativa de trabalho em relação ao número total de pessoas. Nos últimos três meses do ano passado, esse índice chegou a 64,6% dos habitantes, somente 0,3 ponto percentual abaixo do nível máximo da série histórica, registrado no primeiro trimestre de 2017, e 1,2 ponto percentual acima do quarto trimestre de 2018.
“O ano de 2019 registrou um processo de recuperação lenta na economia do País. Esse movimento levou a uma maior participação no mercado de trabalho, evolução que foi captada na pesquisa”, destaca o pesquisador Raul Bastos.
Ocupação, desocupação e rendimentos
Em uma trajetória de recuperação, o nível de ocupação – que é percentual de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade de trabalhar – alcançou 60% da população ativa do Estado no quarto trimestre de 2019, alta de 1,5% quando comparado com o mesmo período do ano anterior.
De acordo com a pesquisa, 5,728 milhões de gaúchos estavam ocupados no final de 2019, o maior número da série histórica da Pnad Contínua. Em termos percentuais, o nível de ocupação ainda fica atrás do nível máximo da série, no quarto trimestre de 2013, quando chegou a 61,3%.
Novamente, o nível de ocupação das mulheres foi o que apresentou maior avanço, passando de 50% no final de 2108 para 52,3% em 2019. Entre os homens, o percentual da população ocupada ficou estável (68,4% em 2019 ante 68,2% em 2018).
A taxa de desemprego no Rio Grande do Sul encerrou 2019 representando 7,1% da população economicamente ativa, estável na comparação com o ano anterior, quando ficou em 7,4%. Em números absolutos, 441 mil gaúchos estavam desocupados no final do ano passado, ante 448 mil na mesma situação no quarto trimestre de 2018.
A queda na desocupação é registrada em praticamente todas as faixas etárias de ambos os sexos, com exceção dos homens entre 45 e 59 anos (passou de 3,2% para 3,5%) e as mulheres de 15 a 29 anos (de 17% para 17,6%). Na comparação com os homens da mesma faixa etária, as mulheres de 15 a 29 anos também enfrentam a situação mais adversa em termos de desocupação, já que a taxa de desocupação entre a população masculina foi de 11,7%, uma diferença de 5,9 pontos percentuais entre os sexos.
Outro destaque do Boletim de Trabalho mostra o peso relativo dos jovens na parcela de desocupados no Estado. Entre os homens, a população de 15 a 29 anos representou 56,7% do total de desocupados, e entre as mulheres chegou a 52,6% do total.
Quanto ao rendimento das pessoas ocupadas no Rio Grande do Sul, o valor médio mensal ficou praticamente estável quando comparado com o mesmo período de 2018, em R$ 2.507, alta de 1,5% e acima do registrado no Brasil (R$ 2.261).
No quarto trimestre de 2019, o valor médio da hora trabalhada apresentou variação positiva de 1,9% para homens e 2,2% para as mulheres. A diferença entre o rendimento de homens e mulheres se manteve praticamente estável, passando de 16% para 15,8% entre o final de 2018 e 2019.
(Marcello Campos)
