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A pedido de Lula, o PT cria núcleos evangélicos para buscar apoio na base

Em novembro, ex-presidente afirmou: "Não é possível que um país do tamanho do Brasil tenha o desprazer de ter no governo um miliciano". (Foto: Ricardo Stuckert)

A pedido do ex-presidente Lula, o PT está criando núcleos evangélicos nos estados para tentar acessar essa fatia do eleitorado fiel a Jair Bolsonaro. Assim que deixou a prisão em Curitiba, o petista disse a aliados que o partido precisava “aprender com os pastores”. Segundo relatos, Lula disse que “eles falam bem e o que as pessoas querem ouvir”.

O pastor Daniel Elias, da Assembleia de Deus no Rio e que participa do movimento do PT, admite que a articulação enfrenta dificuldades. “O grupo ligado à direita chegou primeiro e fidelizou, usando a linguagem do crente, citando a Bíblia. Embora haja evangélicos que não gostem de Bolsonaro, eles estão calados.”

A avaliação de petistas é que conversas com as cúpulas das igrejas estão fadadas ao fracasso —a maioria se alinhou a Bolsonaro. Mas é possível abrir diálogo com as bases. Eles creem que há espaço para mostrar aos evangélicos, principalmente aos que vivem nas periferias, que há valores em comum com a sigla.

Evangélicos no Brasil

O aumento do número de evangélicos fez com que o catolicismo registrasse uma significativa queda no Brasil, se situando em 64,6%, segundo dados do censo 2010 divulgados em novembro de 2019.

A proporção de católicos caiu nove pontos percentuais em uma década e quase 20 pontos desde 1980, quando esse índice girava em torno de 83% da população, segundo os dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da queda registrada, o Brasil é considerado o país com o maior número de católicos do mundo, com 123,2 milhões de fiéis. O estado com o menor índice é o Rio de Janeiro (45,8%), onde será realizada a Jornada Mundial da Juventude. O evento, marcado para julho de 2013, contará com a presença do papa Bento XVI.

As religiões evangélicas foram as que mais cresceram na década e passaram de 15,4%, índice obtido em 2000, para 22,2% em 2010, o que representa um número de aproximadamente 42,3 milhões de pessoas.

As pessoas tidas como sem religião também aumentaram, de 4,7% para 8,0%, o que representaria 15 milhões de pessoas, segundo os cálculos do IBGE. Esse grupo engloba a grande maioria de pessoas sem religião definida e também 615.096 ateus e 124.436 agnósticos.

Os brasileiros que se consideram espíritas representa 2% dos brasileiros, enquanto as religiões de origem africana, como a umbanda e o candomblé, representa 0,3%.

As religiões africanas, que se mantiveram estáveis, possuem um maior número de fiéis na região de fronteira com o Uruguai, seguido de cidades como o Rio de Janeiro, Salvador e a região do Pantanal, na fronteira com a Bolívia e o Paraguai.

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