Durante ato de campanha nessa quinta-feira, a candidata ao Palácio do Planalto Marina Silva (Rede) disse que o ataque a faca sofrido por Jair Bolsonaro desconstrói o discurso do presidenciável do PSL em defesa da flexibilização do porte de armas-de-fogo no Brasil. “Quando a gente semeia amor e respeito, eles se proliferam”, frisou.
“Bolsonaro teve a sua proposta desconstruída por aquilo que ele mesmo pregava, que é a distribuição de armas. Imagina se aquele homem tivesse uma arma na mão? O que ele teria feito?”, questionou.
“Além de tirar a vida do candidato, talvez tivesse tirado a vida de muitas pessoas que estavam ali. Isso é uma demonstração de que a segurança não se resolve distribuindo armas, nem com mais violência. É, em primeiro lugar, com amor e respeito no coração, e com o Estado dando segurança para as pessoas e empresas”, concluiu.
A declaração foi feita durante passeata em frente a um centro comercial popular em Brasília, próximo à rodoviária da capital federal. Ela caminhou com militantes da Rede, fez desenhos de coração com as mãos, tirou selfies com crianças e conversou com índios.
Apesar da vontade da campanha de Marina de intensificar agendas de rua, a caminhada foi rápida e curta, percorrendo cerca de 600 metros. Os militantes carregavam sons portáteis com jingles da candidata e de políticos da Rede em Brasília. Outros gritavam “Marina, estou contigo e o Brasil vai ser unido” e “Din, din, din, vou votar com Marina, sim”.
Segurança
Questionada se teme pela segurança ao andar na rua após o atentado a Bolsonaro, Marina disse ser solidária ao deputado federal pela “inaceitável atrocidade”, mas afirmou estar sendo muito bem recebida em todo o país. Ela ressaltou ter entrado na campanha à Presidência neste ano para “oferecer a outra face”.
“Para a face do ódio, o amor. É assim que eu estou sendo recebida em todos os lugares. Nosso país é de união, solidariedade. Nós não vamos ser tomados pelo medo. A melhor forma de combater a violência, o ódio, é não deixando que ele tome conta da gente”, falou, acrescentando que, caso o porte de armas fosse permitido à população em geral, poderia ter ocorrido uma tragédia.
Pesquisas
A candidata da Rede tratou de minimizar os resultados apresentados das mais recentes pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha sobre intenções de voto, que colocaram ela em empate técnico com Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Jair Bolsonaro (PSL) está na liderança isolada em ambos os levantamentos.
Apesar do empate técnico, Marina vem oscilando para baixo nas pesquisas. No Ibope, ela tinha 12% em 5 de setembro e foi para 9% em 11 de setembro. Já no Datafolha, a queda da candidata foi ainda maior: de 16% (em 22 de agosto) para 11% (em 10 de setembro).
O resultado acendeu o sinal amarelo em sua campanha, que agora busca imprimir uma “marca” própria perante o eleitorado. No entanto, ao ser questionada sobre a perda de votos para Haddad e Ciro, preferiu não fazer críticas diretas aos concorrentes.
“O que as pesquisas estão mostrando é um empate no segundo lugar e ainda não chegamos ao dia 7 [de outubro, data do primeiro turno]. Estamos fazendo nosso trabalho. Vejo na sociedade brasileira uma mobilização enorme para que as velhas estruturas do dinheiro, da mentira, do marqueteiro não prevaleçam. O que vai prevalecer é a consciência do brasileiro”, declarou.
“Eu sei que há pressa de alguns para dizer que o projeto que não é da velha política do PT, do MDB, dos grupos contrários à Operação Lava-Jato”, prosseguiu. “Eles estão muito apressados para dizer que os brasileiros não viabilizarão uma proposta altiva, alternativa à corrupção, à incompetência que levou o Brasil ao buraco. Mas desde 2010 esse projeto vem crescendo e eu e Eduardo Jorge [seu vice] estamos disputando palmo a palmo.”
