A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, pediu, em uma mensagem transmitida pela televisão, um dia de “jejum e oração” diante da pandemia do novo coronavírus, que já infectou 1.053 pessoas no país e matou 55. Áñez está à frente do cargo desde que o ex-presidente Evo Morales renunciou em novembro de 2019, após protestos e pressão da oposição e de militares.
“Irmãos bolivianos, hoje quero enviar uma mensagem de fé, porque para Deus nada é impossível e, estando com ele, vamos superar essa pandemia”, disse Áñez, que pertence a uma congregação protestante.
O pedido de Áñez, apesar de não ter respaldo médico ou científico, não é único. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, já havia feito uma solicitação semelhante, o que levou brasileiros a fazerem jejum de um dia no início de abril. No dia, religiosos também foram à frente do Palácio da Alvorada, em Brasília, para fazer orações.
Áñez, que deve decidir junto de sua equipe se vai prolongar a quarentena no país ou não — a princípio, a medida irá até esta quinta-feira (30) —, citou em sua mensagem uma passagem bíblica: “Pois eu, Jeová, seu Deus, seguro a sua mão direita. Sou aquele que lhe diz: ‘Não tenha medo. Eu o ajudarei'”.
O ex-presidente Eduardo Rodríguez-Veltzé — no cargo nos anos de 2005 e 2006 — criticou o pronunciamento:
“Orações e bênçãos coletivas colocam as pessoas em risco”, disse.
O chefe do serviço nacional de epidemiologia, Virgilio Prieto, admitiu na última semana que “no momento estamos fazendo mais de 100 exames laboratoriais por dia”, uma quantidade considerada insuficiente.
Flexibilização
A Bolívia flexibilizará a quarentena nacional contra o coronavírus a partir de 11 de maio, mas manterá o fechamento de fronteiras e espaço aéreo até o final desse mês, anunciou a presidente Jeanine Áñez nessa quarta-feira (29).
“Manteremos a quarentena atual nas condições atuais até 10 de maio. A partir de 11 de maio, iremos para uma nova forma de quarentena, que será chamada de quarentena dinâmica”, disse a presidente em comunicado à imprensa.
A presidente interina ordenou o início da emergência de saúde em 17 de março, com o fechamento progressivo de fronteiras, transporte terrestre e aéreo e a suspensão do trabalho nos setores público e privado.
Áñez explicou que a nova modalidade significa que a rigidez da emergência sanitária variará em algumas regiões e cidades, de acordo com a evolução da pandemia.
