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A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu um depoimento do suposto coronel que ofendeu a presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber

Raquel Dodge ressaltou que o esquema de corrupção se instalou em diversas unidades públicas do Estado. (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

Ao requerer a instauração de inquérito sobre ameaças à ministra Rosa Weber, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu audiência com o suposto “Coronel Carlos Alves”, que aparece em um vídeo proferindo ofensas contra a presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). As informações foram divulgadas pela PGR.

Nas imagens, o militar ameaça a ministra caso sejam aceitas as ações contra o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, por caixa 2 e abuso de poder econômico. No documento, a PGR cita que a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou, por unanimidade, representação para adoção das providências cabíveis na esfera criminal.

Para Raquel, a manifestação feita no vídeo, que tem a duração de 28 minutos, “contém graves ofensas à honra da ministra Rosa Weber, imputando-lhe tanto fatos definidos, em tese, quanto conduta criminosa, além de difamar-lhe a reputação, mediante imputação de fatos extremamente ofensivos”.

Além de graves acusações aos integrantes do TSE e do STF, há manifestações que podem ser consideradas crime contra a honra do ministro Ricardo Lewandowski, “mediante falsa imputação de conduta criminosa e de fato ofensivo à sua reputação”. Eventuais ofensas a outros integrantes da Corte também deverão ser objeto de análise a partir da transcrição integral do vídeo.

Diante da gravidade dos fatos, Raquel requer a imediata instauração de inquérito policial para apuração, inicialmente, dos crimes de calúnia, difamação, injúria e ameaça, além de outros. A PGR solicitou ainda a identificação, qualificação e oitiva do autor do vídeo.

Na gravação, o suposto coronel da reserva do Exército Carlos Alves chama a magistrada de “salafrária”, “corrupta” e “incompetente”. E diz, em tom ameaçador: “Olha aqui, Rosa Weber, não te atreve a ousar aceitar essa afronta contra o povo brasileiro, essa prova indecente do PT de querer tirar Jair Bolsonaro do pleito eleitoral, acusando-o de desonestidade, de ser cúmplice numa campanha criminosa fraudulenta com o WhatsApp para promover notícias falsas”.

O autor do vídeo ainda chamou os integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) de “canalhas” e “vagabundos”. Em seguida, diz que não aceitará outro resultado no pleito deste domingo que não seja a vitória de Bolsonaro.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, confirmou que a PF (Polícia Federal) já abriu mais de 2 mil inquéritos sobre supostos crimes eleitorais. Entre as denúncias investigadas, quatro envolvem ameaças a Rosa Weber.

Em entrevista, o titular da Segurança Pública também comentou que a PF já abriu, desde o início do processo eleitoral, mais de 2007 inquéritos. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, também solicitou ao MPM (Ministério Público Militar) que investigue o vídeo do ex-coronel.

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