“Viagem internacional” deixa de ser palavrão no cenário brasileiro de crise. Ao menos é o que indica o movimento registrado nas últimas semanas em agências de viagens e casas de câmbio.
Depois de um período de valorização do real frente ao dólar e à libra esterlina, empresas e associações do setor dizem já ter registrado aumento na busca por pacotes de viagem ao exterior.
“Fizemos uma pesquisa sobre o último mês e os associados informaram que a procura aumentou 10%”, diz Edmar Bull, presidente da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens). “Esperamos que as vendas em julho cresçam 5% em relação a 2015.”
No final de junho, se acentuou a queda no valor do dólar americano – que registra uma redução acumulada de 17% no ano. A moeda, que ultrapassou a marca de 4 reais em janeiro, tem fechado abaixo dos 3,30 reais. A libra esterlina, que chegou a custar mais de 5 reais neste ano, também baixou cerca de 0,70 real.
Vendas de pacotes.
A CVC, maior agência do País, recuperou, em junho, a proporção usual entre vendas de pacotes internacionais (40%) e nacionais (60%). “Quinze centavos a menos na cotação do dólar significam pacotes 8% mais baratos”, diz Valter Patriani, vice-presidente da CVC.
No ano passado, com a crise mais aguda, essa relação foi de 30% e 70%, respectivamente; em janeiro deste ano, as viagens internacionais representavam só 20% das vendas de viagens.
Os pacotes da agência oferecidos para o Reino Unido já estão 15% mais baratos. No Decolar.com, a procura por viagens internacionais cresceu 12% em relação ao mesmo período de 2015.
O buscador de passagens aéreas Kayak registrou, nas últimas semanas, aumento na procura por destinos considerados “portos seguros” de brasileiros: 30% para Miami (EUA), 35% para Orlando (EUA) e 17% para Lisboa (Portugal). “Nos momentos em que a crise começa a refluir, quem não estava pensando em viajar começa a pensar de novo, e quem cogitava viajar, parte para consumir”, diz Magda Nassar, presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo).
Aldo Leone, presidente da agência Agaxtur, que também registra aumento na demanda, vê mudança no comportamento do turista: “Viagens para compras estão sendo substituídas pelas só de lazer”.
Como a crise não passou de vez, as estratégias das agências para vender em tempos difíceis continuam, como parcelamentos em mais vezes e câmbio fixado a preço menor.
“Se a estabilidade continuar, a tendência é que os preços se reacomodem a um patamar mais ‘real’, menos promocional”, declara Magda.
Câmbio favorável.
Mesmo quem pretende esperar um pouco para viajar ao exterior pode se dar bem se trocar dinheiro agora – economistas indicam sempre a compra fracionada justamente para aproveitar momentos como esse, de baixa.
Além das agências de viagens, casas de câmbio registraram mais movimento com a valorização do real frente ao dólar e à libra. Sair do Brasil com dinheiro vivo também reduz a necessidade de usar, no destino, o cartão de crédito, no qual há incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o risco de o câmbio mudar muito até a fatura ser fechada.
