Michel Temer está animado. Amargava uma taxa de reprovação de 82%. Mas o Datafolha informou que a desaprovação caiu para 73%. Mal comparando, o presidente passou a se comportar como se fosse um ovo frito fazendo o caminho de volta. Ficou tão animado com a perspectiva de se tornar um galeto, que ignorou o fato de ter apenas trocado a frigideira pelo espeto. A menos que ocorra uma epidemia nacional de amnésia, chegará ao final do mandato bem passado.
Temer recuperou a autoestima. Voltou a se dar bem consigo mesmo. Considera-se “injustiçado” pela imprensa, relatou um auxiliar. Queixa-se de Henrique Meirelles, que não o defende na campanha. Mas declara-se convencido de que a história se congratulará com ele, reconhecendo-lhe os méritos. Herdou de Dilma o caos, realçou o assessor. Poderia ter optado pela resignação. Mas encarou a conjuntura, impedindo que as coisas piorassem.
Temer contabiliza como grandes feitos algumas providências que os adversários criticam na campanha eleitoral – o teto dos gastos públicos, a reforma trabalhista, a troca do modelo de exploração do óleo do pré-sal, a reformulação do ensino médio… Acha que há tempo para aprovar uma reforma da Previdência antes do final do ano, entre a abertura das urnas e o Natal.
A maioria dos brasileiros gostaria muito de viver no país que o presidente descreve com tanto entusiasmo, seja ele onde for. É como se no Brasil de Temer o presidente da República não carregasse duas denúncias criminais nas costas. É como se o inquilino do Planalto não respondesse a um par de inquéritos por corrupção. É como se os 13 milhões de desempregados tivessem tomado chá de sumiço.
Reprovação popular
A reprovação popular ao governo do presidente Michel Temer recuou nove pontos percentuais do início de junho até agora, mas continuou acima de 70%. De acordo com a pesquisa do instituto Datafolha, o índice de entrevistados que consideram a gestão do emedebista “ruim” ou “péssima” baixou de 82% no início de junho (um recorde desde a redemocratização do País, em 1985) para 73%.
O desempenho atual nesse tipo de enquete ainda é o segundo pior de sua gestão, que tem obtido reprovação acima de 70% desde setembro do ano passado. Já o segmento dos que consideram o governo de Temer “ótimo” ou “bom” oscilou positivamente de 3% para 4%. A fatia dos que avaliam a atual gestão como “regular”, por sua vez, cresceu de 14% para 21%.
Feito em parceria entre o grupo jornalístico Folha e a Rede Globo, o levantamento ouviu 8.433 pessoas em 313 municípios de todo o País. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
Temer assumiu o Palácio do Planalto em maio de 2016, após o afastamento da então presidenta Dilma Rousseff (PT) pelo processo de impeachment no Congresso Nacional. Na época, ele contava com 14% de avaliação positiva.
De lá para cá, a rejeição ao seu governo cresceu significativamente. Devido ao escândalo da JBS/Friboi, houve duas denúncias diretas contra Temer pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e, por uma margem de votos relativamente pequena, a Câmara dos Deputados barrou o afastamento do emedebista.
De acordo com Mauro Paulino, diretor-geral do instituto Datafolha, uma das possibilidades de explicação para a migração de eleitores da faixa de reprovação para a de “regular” é a perda de poder político com a aproximação do fim do mandato. “Ele perdeu protagonismo para o processo eleitoral e se poupou”, afirma Paulino. A pesquisa de junho também foi feita pouco após a greve de caminhoneiros que afetou o abastecimento em todo o País.
