O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, acredita que o encontro do presidente Jair Bolsonaro com líderes partidários na última quinta-feira foi bom para a articulação do governo, já que os dois lados souberam ao menos iniciar as conversas, de um lado fazendo o convite e, do outro lado, aceitando. “Se eu não gosto, eu digo não, não vou, né?”, ponderou.
Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro afirmou que os desencontros entre governo e Congresso pelas redes sociais são desencadeados por pessoas que procuram conflito, mas minimizou os efeitos dos desentendimentos. Há cerca de duas semanas, Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia trocaram mensagens atacando um ao outro pelas redes sociais, em uma briga que teve origem em ataques do filho do presidente, Carlos Bolsonaro, ao presidente da Câmara.
“Tem que ver quem é que tumultua, né? A rede social, ela não tumultua, quem tumultua são algumas pessoas que usam a rede social”, disse Santos Cruz. “Qualquer um que não tiver bom senso em utilizar esses mecanismos, ele acaba às vezes criando um pouco de tumulto. Porque hoje em dia é muito fácil de você emitir sua opinião, quase sem consequência.”
O ministro, no entanto, não quis nomear quem ele acredita que tumultua as redes e disse que “qualquer um pode utilizar às vezes para tumultuar um pouquinho”.
“Isso aí que parece às vezes tumultuado, em termos administrativos pra gente às vezes não significada nada. A vida administrativa continua normal. A rede social às vezes está só na superfície, e, na essência, as coisas estão caminhando. Não dá para você se basear só em rede social como um termômetro.”
O ministro concedeu a entrevista em Cambridge, nos Estados Unidos, onde participa da Brazil Conference, evento organizado por alunos brasileiros das universidades de Harvard e do MIT. Um dos temas recorrentes dos painéis ao longo dos dois primeiros dias de evento foram as declarações de membros do governo Bolsonaro, inclusive do próprio presidente e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que não houve golpe em 1964. Santos Cruz disse que considera uma “perda de tempo” essa discussão.
“Você tem as imagens da época todas no YouTube. Você tem todas as reportagens da época no YouTube. Deixa pro pessoal tomar conhecimento e decidir. Agora, no final, é perda tempo, porque, a população tá interessada nisso? Eu acho que é perda de tempo, mas eu tenho outras coisas pra fazer. Não vou ficar discutindo isso.”
No final de março, o presidente Jair Bolsonaro ordenou que as Forças Armadas comemorem o golpe militar de 1964. Já no início de abril, o governo enviou um telegrama à ONU afirmando que não houve golpe em 64. Santos Cruz concorda.
“Eu por exemplo acho que não é, outros acham que sim. Mas o que que isso vai contribuir agora com alguma coisa? Vai contribuir com o que?”, e concluiu: “É uma coisa histórica, não tem mais sentido você ficar perdendo tempo, gastando energia nesse tipo de coisa”.
O general defendeu o encontro da última quinta para tratar da reforma da previdência, que, segundo ele, “não é uma coisa partidária, isso aí é uma coisa para a sociedade brasileira”.
“Você tem que receber as pessoas, tem que conversar, mesmo com os partidos de oposição, mesmo com aqueles que não são diretamente da sua base. Tudo isso é importante em política né, política tem que conversar, isso aí faz parte dessa aproximação”, e concluiu: “você tem que consolidar a base de apoio para determinados assuntos, no caso da previdência, isso aí tem que ser consolidado, e como que é consolidado? Através de conversas, de entendimentos, políticas públicas.”
Santos Cruz também disse que não teve tempo de conversar com Bolsonaro sobre possíveis trocas no comando do Ministério da Educação porque não teve tempo: “Ele foi pra Israel, ficou lá três dias e quando ele estava chegando eu estava saindo.”
