A rejeição ao nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal, na quarta-feira (29), deve levar o governo a fazer uma triagem na pauta econômica para priorizar projetos que ainda podem ser aprovados no Congresso este ano, antes das eleições de outubro. Segundo parlamentares petistas ouvidos pelo Estadão, a prioridade agora é buscar a aprovação de propostas que tenham impacto positivo sobre os eleitores, como o projeto para amenizar os efeitos da guerra do Irã sobre os preços dos combustíveis e a proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho.
Com isso, a indicação de nomes para as duas vagas em aberto da diretoria do Banco Central e que precisam ser aprovados pelos senadores pode ficar para depois das eleições – embora senadores ouvidos pelo Estadão entendam que não há relação entre o veto a Messias e as indicações para o BC.
Outro projeto que tem pouco apelo popular na visão do governo é a PEC da autonomia financeira do BC e a proposta que dá mais instrumentos para a autoridade monetária evitar casos como o do Banco Master. No caso desse projeto, especificamente, lideranças petistas entendem que, como está, esse projeto coloca o Tesouro como garantidor de última instância sobre a quebra de bancos, e que isso precisa ser corrigido.
No governo, já havia um alerta e sugestões para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não enviasse os nomes para Banco Central até maio. A percepção era a de que seria preciso acompanhar o desfecho da indicação de Messias. Com a rejeição, o tema deixou de ser prioridade, na visão de articuladores do governo federal.
Assim, a ordem é que não haja pressa, ainda que a cúpula do BC siga desfalcada, com dois diretores acumulando cargos. Na decisão sobre a queda dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta (29), para 14,50% ao ano, apenas seis dos nove membros do colegiado participaram do processo – por luto na família, o diretor Rodrigo Teixeira esteve ausente.
No final de 2025, os diretores do Banco Central Diogo Guillen, da Política Econômica, e Renato Gomes Brito, de Organização do Sistema Financeira, encerraram os seus mandatos. Com isso, os cargos foram acumulados pelos diretores Paulo Picchetti, de Assuntos Internacionais (que também ficou com a de Política Econômica), e Gilneu Vivan, de Regulação (que ficou com o de Organização).
Outra postura
No Senado, contudo, até parlamentares da oposição tentam dissociar as duas pautas. O entendimento é de que a agenda econômica funciona em paralelo à indicação ao Supremo, e que os motivos para a rejeição de Messias não têm correlação com as vagas no BC.
De acordo com o senador Efraim Filho (PL-PB), um dos nomes mais próximos ao presidente do Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), o Senado ainda aguarda o envio dos nomes para o BC para que o trâmite aconteça de forma técnica. “São situações completamente diferentes. O Senado terá a capacidade de diferenciar o que é a pauta econômica do que foi a votação para essa vaga do STF. Não vejo uma coisa contaminar a outra”, disse.
Para Efraim, a rejeição a Messias passa pela desarticulação da base governista, e também pela percepção de que essa vaga para o Supremo pertence ao presidente a ser eleito em outubro, e não ao presidente Lula. “Lula já indicou dois nomes de seu governo para o STF e essa vaga abriu por causa da antecipação da aposentadoria do ministro (Luís Roberto) Barroso. Por isso, o entendimento é de que cabe ao próximo presidente eleito indicar esse nome”, afirmou.
Pelo lado do Banco Central, o mais provável é que a cúpula do órgão concentre esforços para colocar em votação a Proposta de Emenda à Constituição da autonomia administrativa, orçamentária e financeira da autarquia (PEC 65). O texto ainda enfrenta oposição de membros do governo, mas a expectativa é de que haja votos suficientes para a aprovação da matéria depois que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, pediu apoio a parlamentares. (As informações são de O Estado de S. Paulo)
