O Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) anunciou acordos de produção da vacina contra Covid-19 Sputnik V “com companhias de Itália, Espanha, França e Alemanha”, à espera de sua homologação na União Europeia.
“Atualmente, há outras conversas em curso para aumentar a produção na UE. Isso permitirá começar a abastecer o mercado único europeu com a Sputnik V, assim que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovar”, afirmou o presidente do Fundo, Kirill Dmitriev, em um comunicado.
A Sputnik passa por situação semelhante no Brasil. O Ministério da Saúde assinou o contrato para compra de 10 milhões de doses da vacina, sendo que as primeiras 400 mil doses chegarão ao país até o final de abril. É preciso, no entanto, que a União Química, que vai produzir a vacina russa no país, agilize o processo de autorização do imunizante junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Paralelamente, os governadores do Nordeste devem assinar até esta quarta-feira (17) o contrato para aquisição de 37 milhões de doses da vacina Sputnik V. Ficou acordado com o ministério que apesar da negociação ter sido feita pelo consórcio regional, as vacinas irão para o Programa Nacional de Imunização (PNI) e serão distribuídas para todo o país. A expectativa é de que os lotes das vacinas russas cheguem ao Brasil entre abril e julho, em quantidades escalonadas. O primeiro lote seria de 1,9 milhão de doses, em abril.
Avanços na Europa
O responsável pelo RDIF, que financia o desenvolvimento desta vacina, não indicou o nome dos grupos europeus com os quais os acordos foram fechados. Em 9 de março, foi anunciado um primeiro acordo de produção na Itália com a farmacêutica ítalo-suíça Adienne, que deve produzir a vacina na Lombardia, no Norte da Itália.
Embora ainda não tenha sido autorizado na UE, o imunizante russo avançou com o início da análise por parte da EMA. As autoridades russas disseram estar prontas para entregar 50 milhões de doses aos europeus a partir de junho.
Acolhida com ceticismo no exterior em um primeiro momento, a Sputnik V convenceu vários países, e a revista científica The Lancet validou sua confiabilidade em fevereiro deste ano.
A Rússia acusa os países ocidentais, com frequência, de fazerem campanha contra a Sputnik V, ao insinuarem que Moscou lançou uma diplomacia da vacina para semear a discórdia na Europa.
A União Europeia enfrenta dificuldades de abastecimento das vacinas contra covid desenvolvidas por grupos farmacêuticos ocidentais.
