A semana terminou com saldo negativo para o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, que foi alvo na sexta-feira de um inquérito para investigá-lo por improbidade administrativa. O tucano vem sendo cobrado por seus próprios pares a apresentar melhor desempenho na corrida eleitoral exatamente num período em que tem sofrido desgastes.
Além do inquérito aberto contra ele, Alckmin começou a semana vendo seu nome aparecer na pesquisa Datafolha, divulgada no domingo passado, em quinto lugar, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Joaquim Barbosa (PSB), no cenário sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa.
Outro evento negativo para os tucanos foi que na terça-feira o senador Aécio Neves (PSDB-MG) virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF), gerando mais desgaste para o partido neste ano eleitoral, após ter sido o último candidato a presidente dos tucanos.
Alckmin chegou a dar declarações de que o senador mineiro não deveria ser candidato a nenhum cargo neste ano para preservar o PSDB nas eleições de 2018. Aécio rebateu e disse que essa era uma decisão que ele tomaria em conversa com seus colegas de partido em Minas Gerais. Mas correligionários do próprio Aécio em seu estado também gostariam que ele não participasse da eleição.
O ex-governador de São Paulo, alvo do inquérito depois de perder o foro privilegiado ao deixar o cargo no último dia 6 de abril para disputar a eleição, diz estar tranquilo e que não há nada contra ele que possa prejudicar sua campanha. Reservadamente, seus interlocutores reconhecem que ele será alvo de desgaste, porque seus adversários vão usar o inquérito como munição para atacá-lo, além da situação política delicada de Aécio Neves.
Os aliados do pré-candidato do PSDB destacam que o ponto positivo que conta a seu favor neste momento é que, entre os candidatos de centro, é o que tem melhor posição nas pesquisas (de 6% a 8%). Os demais ficam com 1% a 2% das intenções de voto, como Rodrigo Maia (DEM), Michel Temer (MDB), Henrique Meirelles (MDB) e Flávio Rocha (PRB).
Na avaliação da cúpula tucana, mais à frente, próximo do início da campanha e antes das convenções partidárias, os demais candidatos de centro podem desistir em nome de uma aliança com Alckmin.
Essa seria uma estratégia de sobrevivência para manter o poder nas mãos deste grupo, que não está unido nesta fase, mas pode se reagrupar diante do risco de ficar fora do segundo turno.
