Na tarde dessa terça-feira, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, sugeriu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja solto, a fim de evitar gastos aos cofres públicos. A declaração foi uma resposta ao pedido da Superintendência da PF (Polícia Federal) de Curitiba (PR) à Justiça para que o líder petista seja transferido do local onde está preso.
A petição aponta que cerca de R$ 300 mil serão gastos até o fim do mês com diárias de policiais, passagens e deslocamentos de pessoal de outras unidades para reforçar a segurança no local. Desde a chegada de Lula ao local, essa despesa já teria ultrapassado metade desse montante.
“Nós temos a melhor solução para que o Estado brasileiro não gaste e que acabem os problemas no sistema judiciário paranaense: soltem Lula”, propôs a parlamentar. “Em qualquer lugar para onde levarem o ex-presidente, a situação de acompanhamento dele, de requerimento de visitas e de movimentação política será a mesma. Lula é muito grande para ficar preso.”
A petista também frisou que está receosa com o pedido de transferência. “Nós não queremos que o presidente vá para um isolamento maior. Eles queriam prendê-lo, trazer para Curitiba e agora não dão conta da grandeza do ex-presidente? Eles sabiam que isso ia acontecer”, criticou. “Não nos cabe definir o lugar para onde ele vai. Mas se não querem incômodo e nem gastar, soltem Lula.”
Com o termo “isolamento”, a senadora se referiu à negativa da juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Execução Penal, sobre uma série de pedidos de visitas ao ex-presidente. Na segunda-feira, a magistrada indeferiu todos os pedidos de visita ao líder petista, incluindo uma solicitação da ex-presidenta Dilma Rousseff e de representantes da Comissão Externa da Câmara dos Deputados.
Lula permanece recebendo familiares às quintas-feiras. Eles podem entrar no prédio onde se localiza a carceragem da Superintendência da PF das 8h30min às 11h30min e das 13h30min às 17h30min.
Protesto
Barrados de visitar e vistoriar a cela de Lula nessa terça-feira, o grupo de parlamentares anunciou que vai processar a juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba.
“Alguns juízes do Paraná como a Carolina Lebbos e o juiz Sérgio Moro se sentem deuses”, declarou o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), membro da comissão. “Ao proibir a entrada de uma presidente da República, 11 governadores e de um ganhador do prêmio Nobel da Paz, ela se sente deusa. É uma perseguição política. Um processo de exceção. Essa juíza rasgou hoje a Constituição Federal.”
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT/RS), coordenador da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, argumentou que a Constituição Federal garante a entrada dos parlamentares e que a juíza será processada por abuso de autoridade.
“Cabem aí medidas judiciais urgentes”, avaliou o parlamentar gaúcho. “Isso é um fato de repercussão internacional. É algo extremamente grave do ponto de vista do precedente que abre.”
Para o deputado Wadih Damous (PT-RJ), “a Câmara dos deputados foi escorraçada e a Polícia Federal cumpriu uma ordem ilegal”, já que a juíza não tinha o direito de impedir a visita. “Essa juíza não tem nada a ver com isso. Não viemos aqui fazer visita, viemos fiscalizar as condições do cárcere”, prosseguiu.
