“Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia”, escreveu Daniel Vorcaro à então namorada, Martha Graeff, em 7 de abril de 2025. Preso por fraudes à frente do Banco Master, o banqueiro é apontado pelas investigações como o articulador de uma ampla rede de relações com políticos e autoridades de diferentes espectros ideológicos para obter proteção política, influência institucional e favorecer os negócios da instituição.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro se aproximou de integrantes dos Três Poderes por meio de reuniões, festas, degustações de whisky, charutos e vinhos, viagens em jatinhos, negociações e supostos pagamentos de propina.
As investigações indicam que ele buscou apoio no Congresso Nacional para ampliar os limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), contratou ex-ministros de governos petistas e bolsonaristas como consultores, tentou convencer o Banco Central da viabilidade de seus negócios, utilizou o BRB em operações financeiras e recorreu a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar evitar a liquidação do Banco Master.
Atualmente, Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, de acordo com as investigações, ele ainda não convenceu os investigadores por resistir a apresentar informações além das já obtidas a partir da análise dos celulares apreendidos.
Contatos
A rede de contatos do banqueiro foi organizada pelos investigadores em diferentes núcleos. O de propina reúne seis pessoas apontadas como beneficiárias de valores milionários. Entre elas estão o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Belline Santana, associado a R$ 4 milhões; o senador Ciro Nogueira (PP) e o senador Jaques Wagner (PT), ambos ligados ao valor de R$ 6 milhões; o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sergio Neves de Souza (R$ 8 milhões); o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa (R$ 146 milhões); além do ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (PL).
O núcleo de negócios concentra o maior número de nomes e reúne políticos, ministros e ex-integrantes do governo ligados a supostas negociações milionárias. A lista inclui os ministros do STF Alexandre de Moraes (R$ 80 milhões), Dias Toffoli (R$ 35 milhões) e Nunes Marques (R$ 6,6 milhões); o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto (R$ 5,4 milhões); o presidente da legenda, Antonio Rueda (R$ 6,4 milhões); os senadores Ciro Nogueira (R$ 6 milhões) e Flávio Bolsonaro (R$ 61 milhões); o empresário e ex-ministro Fábio Faria (R$ 67,5 milhões); o advogado e ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten (R$ 3,8 milhões); os ex-ministros Guido Mantega (R$ 14 milhões), Henrique Meirelles (R$ 18,5 milhões), Ronaldo Bento (R$ 11 milhões) e Ricardo Lewandowski (R$ 6,3 milhões); o ex-presidente Michel Temer (R$ 10 milhões); e o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha.
Outro núcleo reúne autoridades que, segundo as investigações, atuaram em favor do Banco Master. Entre os nomes citados estão Ciro Nogueira, Hugo Motta, Roberto Campos Neto, Rui Costa, Jhonatan de Jesus, Ibaneis Rocha e os deputados Claudio Cajado, Doutor Luizinho, Filipe Barros, Guilherme Derrite e Isnaldo Bulhões.
As apurações também identificam um núcleo de encontros relacionados ao Banco Master, formado por autoridades que teriam participado de reuniões com Vorcaro. Fazem parte desse grupo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente Michel Temer, Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro, ACM Neto, Ciro Nogueira, Guido Mantega, Hugo Motta, Claudio Castro, Ibaneis Rocha e Fábio Faria.
Outro grupo reúne participantes de encontros sociais envolvendo whisky, charutos, vinhos e festas. Nesse núcleo aparecem Alexandre de Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ministro do STJ Benedito Gonçalves, o procurador-geral da República Paulo Gonet, Ricardo Lewandowski, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Ibaneis Rocha e os deputados Doutor Luizinho, Isnaldo Bulhões e Marcos Pereira.
As investigações ainda apontam um núcleo relacionado ao uso de voos em jatinhos, do qual fazem parte Alexandre de Moraes, Antonio Rueda, Bruno Bianco, Ciro Nogueira, Fábio Faria, Hugo Motta, Isnaldo Bulhões, Nikolas Ferreira, Rodrigo Gambale e Nunes Marques. Há, por fim, um núcleo referente a doações de campanha por intermédio de um cunhado, que reúne o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-deputado federal Lucas Gonzales (Novo). (Com informações de o O Estado de S. Paulo)
