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A União Europeia pressiona a Boeing sobre o negócio com a brasileira Embraer

Empresa informou que retomou a produção de aviões depois da paralisação por causa da pandemia, inclusive do modelo 737. (Foto: Reprodução)

Enquanto tenta superar a crise provocada pelos dois acidentes com as aeronaves 737 Max, o novo presidente executivo da Boeing, Dave Calhoun, enfrenta novos questionamentos de reguladores europeus sobre a compra do braço comercial da brasileira Embraer, considerada crucial para a estratégia de longo prazo da americana. As informações são da agência de notícias Reuters.

Autoridades da União Europeia (UE) que investigam a aquisição pediram que as empresas forneçam mais 1,5 milhão de páginas de documentos e dados referentes a 20 anos de vendas, disseram à agência Reuters duas pessoas a par do processo.

O tamanho do pedido ilustra a preocupação da Comissão Europeia com um acordo que, na avaliação dos reguladores europeus, reduz a competição no mercado global de jatos. Essa interpretação não é compartilhada por reguladores americanos.

Procuradas, a Comissão Europeia e as empresas não comentaram a informação.

O negócio prevê que a Boeing pagará US$ 4,2 bilhões por 80% da divisão de aviões comerciais da Embraer, que compete com a francesa Airbus no mercado de aeronaves com até 150 assentos.

Qualquer atraso ou impasse no acordo representaria mais um revés para a Boeing, que demitiu Dennis Muilenburg da direção executiva da empresa na segunda-feira e nomeou Calhoun em seu lugar. A mudança no comando ocorreu após vários meses de crise, desencadeada pela morte de 346 pessoas em dois acidentes com o 737 Max. A aeronave está impedida de voar, e a companhia enfrenta dificuldades para convencer as autoridades de que ela é segura.

Cade deve aprovar

Calhoun conhece a Embraer desde sua antiga função como executivo sênior da fabricante de motores General Electric. A expectativa de observadores do mercado é que Calhoun concentre esforços para concretizar o negócio com a Embraer.

A compra de parte da Embraer pela Boeing já foi aprovada por autoridades nos EUA, Japão e na China e, segundo informou a agência Bloomberg na semana passada, deve ser aprovada em janeiro pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sem restrições significativas.

O maior obstáculo é, justamente, a UE, onde as autoridades antitruste suspenderam a análise do acordo em 11 de novembro alegando não terem recebido informações suficientes das fabricantes. A expectativa é que o processo só termine em fevereiro.

De acordo com as fontes, a Comissão exigiu informações adicionais após ter tido acesso a centenas de milhares de dados compartilhados por outros reguladores.

Agora, advogados das partes envolvidas aguardam para ver se a Comissão lançará uma “declaração de objeções”, que pode levar a um pedido de concessões para garantir a aprovação.

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