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A vacina contra o coronavírus anunciada pelo ministro Marcos Pontes só deve estar disponível em 2022

O ministro Marcos Pontes durante entrevista ao Planalto sobre a vacina Versamune-CoV-2FC. (Foto: Reprodução/Palácio do Planalto/Youtube)

Os testes clínicos da vacina brasileira anunciados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) devem demorar entre 9 e 12 meses, o que indica que o imunizante deverá estar disponível ao público somente no ano que vem. É o que estima Helena Faccioli, presidente da Farmacore, empresa de biotecnologia que desenvolveu o produto em parceria com cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). “As fases 1 e 2 terão 360 voluntários e devem durar de 3 a 4 meses. Se somarmos o tempo necessário para a fase 3, a gente prevê que todo o estudo clínico demore de 9 a 12 meses.”

Helena conta que recebeu a garantia do MCTI de repasse de R$ 30 milhões para viabilizar as fases 1 e 2. “Eles já estão nos acompanhando desde o início do projeto, em abril do ano passado. Mas a assinatura do contrato só será feita após o aval da Anvisa para os testes”, explica.

A fase pré-clínica recebeu R$ 4 milhões do governo federal. “A vacina demonstrou 98% de proteção nos testes de anticorpos em animais. Também induziu a produção de células T (de defesa) e não gerou efeito colateral”, relata ela.

A presidente da Farmacore explica que a vacina utiliza dois componentes: uma partícula nanolipídica e um antígeno, que é a proteína S1 do coronavírus. O primeiro desperta nosso sistema imunológico e o segundo faz o corpo produzir anticorpos específicos para a covid-19. O antígeno foi desenvolvido pela Farmacore e pela USP. Já a partícula nanolipídica foi criada pela empresa americana PDS, parceira do projeto.

De acordo com Helena, a partícula terá de ser importada para os testes clínicos, mas, caso a vacina seja aprovada, a produção de todos os componentes será feita no Brasil, conforme acordo com a empresa americana. “Já estamos em fase adiantada de negociação com uma grande indústria nacional para viabilizar a produção”, disse a presidente.

A previsão é que serão duas doses, com intervalo de 21 dias entre elas. Testes pré-clínicos, conduzidos em camundongos, revelaram uma resposta imunológica excelente de duas dosagens, com 98% dos roedores não infectados depois da vacinação. Não houve nenhuma morte entre os animais que acabaram contraindo o Sars-CoV-2.

“A vacina demonstrou capacidade de ativar todo o sistema imunológico — imunidade humoral, celular e inata, induzir memória imunológica e proteção de longo prazo”, disse o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, em nota.

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