Os licenciamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil em agosto subiram 5,1% na comparação com julho, para 183.383 unidades, de acordo com dados da associação de distribuidores, Fenabrave. Na comparação com agosto de 2019, contudo, houve queda de 24,52%.
No mês passado, o segmento de motocicletas, que costuma ser mais sensível a crises, registrou alta de 12,71% nos licenciamentos ante julho, emplacando 95.998 unidades, mostraram os dados nesta quarta-feira (2). Em comparação com um ano antes, porém, o segmento mostra alta de 8,29%.
No segmento de caminhões, as vendas de agosto mostraram queda de 15,23% sobre julho e declínio de 15,73% na comparação anual.
Queda do PIB
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve um tombo histórico de 9,7% no 2º trimestre, na comparação com os 3 primeiros meses do ano, devido ao impacto da crise do coronavírus, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a economia brasileira entra oficialmente em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de encolhimento do nível de atividade.
Trata-se da queda mais intensa desde que o IBGE iniciou os cálculos do PIB trimestral, em 1996. Até então, o maior tombo já registrado no país tinha ocorrido no 4º trimestre de 2008 (-3,8%).
Em relação ao 2º trimestre de 2019, a queda foi ainda maior, de 11,4%.
“Ambas as taxas foram as quedas mais intensas da série, iniciada em 1996. No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho, houve queda de 2,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores”, informou o IBGE no comunicado oficial.
O IBGE também revisou o resultado do 1º trimestre para uma queda de 2,5%, ante leitura anterior de recuo de 1,5%. No acumulado no 1º semestre, o PIB caiu 5,9% em relação a igual período de 2019.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em valores correntes, o PIB do segundo trimestre totalizou R$ 1,653 trilhão.
O resultado do 2º trimestre veio dentro do esperado pelo mercado e pelo governo.
A nova recessão é diferente das anteriores não só pela intensidade como também por ter sido detonada por uma crise sanitária global, que exigiu medidas de isolamento social para a contenção da pandemia de Covid-19. Embora seja uma crise mundial, aqui ela chega com o agravante de ter afundado a economia antes mesmo do Brasil ter se recuperado das perdas da última recessão, de 2014-2016.
De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Roque Palis, com esse resultado o PIB ficou no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global provocada pela onda de quebras na economia americana. No 1º trimestre, a economia já tinha regredido ao patamar de 2012. Ou seja, em 3 meses, o PIB brasileiro andou 3 anos para trás.
