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A vez do diálogo interno com a base

Desde novembro de 2020, a folha vem sendo paga com regularidade, completando, assim, um ano e meio de salários em dia. (Foto: Divulgação/RS)

Os governos de Jair Bolsonaro e Eduardo Leite parecem padecer de uma mesma dificuldade: a disposição para o diálogo de forma mais intensa com suas bases de apoio. Embora existam diferenças: no caso do governo federal, a base de apoio se materializa via pressão popular, sem divisão de cargos entre partidos que se dizem aliados, ao contrário do governo gaúcho.

A vez das barganhas

No governo gaúcho, começa a eclodir uma queixa quanto à dificuldade do governador Eduardo Leite dispor de tempo para um dialogo com seus principais aliados. A tarefa, oficialmente, coube ao chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, que, pelo seu temperamento cordial, transita em todos os partidos políticos. Mas a alçada de Otomar Vivian também tem um limite, que só pode ser extrapolado pelo governador, especialmente quando se trata de nomear cargos de confiança. Daí alguns expoentes dos partidos aliados desejarem falar diretamente com Eduardo Leite: querem, na maioria dos casos, indicarem ocupantes para cargos de confiança do governo.

Foi uma Fiat Elba que derrubou Collor?

Uma lenda tem reafirmado que o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor foi vítima do impeachment porque descobriu-se a compra irregular de uma camioneta Fiat Elba com recursos oriundos do caixa dois da sua campanha eleitoral. Como toda lenda, nem sempre há um nexo com os fatos reais. Collor caiu principalmente porque estava convencido de que, com a força da votação obtida, poderia governar sem ceder às barganhas de senadores e deputados. Sequer os recebia no gabinete presidencial. Quando deu-se conta do erro, já era tarde.

Afinal, vivemos novos Tempos?

As urnas deram um recado claro nas eleições de 2018: o eleitor sinalizou que está saturado desse velho modelo da barganha politica e favores em troca de apoio e do voto nos parlamentos.

A CRM não se ajuda

A Companhia Riograndense de Mineração, que acumula déficits milionários, e está na lista das empresas que devem deixar o portfólio do governo gaúcho, agora vê-se envolvida em um casso de suspeita de corrupção. A Polícia Civil do RS desencadeou operação para apurar denúncias sobre fraude em licitações para transporte de resíduos da queima de carvão, o que pode representar irregularidades em torno dos R$ 9 milhões. A CRM acumula prejuízos em seus balanços:: R$ 18,2 milhões em 2015, R$ 37,7 milhões em 2016 e R$ 31,8 milhões em 2017.

Onde foram parar os recursos da Amazônia?

O Fundo Amazônia destinou diretamente R$ 1,1 bilhão e mais R$ 3,4 bilhões em doações para projetos de desenvolvimento econômico da Amazônia. Estes recursos foram repassados a universidades, entidades religiosas e ONGs. O governo agora quer fazer um pente fino nestes recursos, e nos projetos. Setores da “comunidade acadêmica” já começaram a protestar. Sinal de que o governo está certo em apurar o uso destes recursos.

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