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A votação da reforma tributária, ainda que favorável, foi vista como um sinal de alerta das dificuldades do governo no Senado

Pacheco considerou as declarações do petista como "impróprias". (Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal)

A votação da reforma tributária, ainda que favorável, foi vista como um sinal de alerta das dificuldades do governo no Senado. O diagnóstico foi feito pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em conversa reservada com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na última segunda-feira (13).

O encontro, que ocorreu fora da agenda oficial, no Palácio do Planalto, serviu para Lula agradecer a Pacheco pelo resultado da deliberação. Mas, também, para que o presidente do Senado pudesse falar sobre a atual situação da base aliada na Casa, que não está em seu melhor momento.

De acordo com pessoas próximas aos chefes do Executivo e do Legislativo, Pacheco deixou claro ao presidente Lula que o governo não tem espaço para errar e precisará conversar constantemente com os senadores para acertar os próximos passos.

A mesma avaliação de Pacheco foi feita pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Jaques falou sobre o tema separadamente com Lula e com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao longo da última semana.

Uma das ideias que passou a ganhar força no governo é Lula organizar uma confraternização no Palácio da Alvorada, até o final do ano, para receber os senadores e reforçar essa aproximação. Outra possibilidade ventilada seria ter algum ex-senador na equipe de Padilha que pudesse ajudar no diálogo com a Casa.

Alguns senadores da base aliada ouvidos pelo jornal Valor Econômico reclamam da “falta de atenção” do governo. Uma das críticas é sobre a atuação de Padilha que, por ser deputado licenciado, teria maior proximidade com a Câmara dos Deputados.

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), cobra que o governo aumente o diálogo com os senadores. “Na CAE, tudo que o governo precisou foi aprovado. O Senado está entregando, mas o governo tem que ficar mais atento, dar mais atenção ao Senado, dialogar mais”, disse o senador.

O parlamentar elogiou a atuação de Jaques Wagner (PT-BA), mas disse que vê o colega “solitário” na articulação pela defesa dos projetos de interesse do Executivo.

Ausências e reviravoltas

Além disso, há uma avaliação de que o resultado da reforma tributária foi muito mais fruto do esforço de parlamentares da base do que do governo. Eles alegam que, durante a tramitação na Câmara, o Planalto liberou mais emendas, enquanto, neste caso, a vitória foi fruto “da política” e de negociações em relação ao teor do texto. A votação, por 53 votos a 24, teve algumas reviravoltas de última hora.

Uma das surpresas foi a ausência do líder do PDT no Senado, Cid Gomes (CE), no dia da votação da reforma. Cid estava viajando na ocasião. Outra ausência sentida foi a do senador Irajá (PSD-TO), que, apesar de compor a base, preferiu não votar por ser contrário à matéria.

A mudança de posição do líder do Republicanos, Mecias de Jesus (RR), também surpreendeu, assim como da líder do PP, Tereza Cristina (MS), e do senador Hiran Gonçalves (PP-RR).

Em função das mudanças de posicionamento na reta final, aliados do governo correram para conseguir novos apoios para garantir o número mínimo – eram necessários pelo menos 49 votos para a aprovação. Um deles foi o do senador Eduardo Gomes (PL-TO), que, enquanto líder do governo Jair Bolsonaro (PL), defendeu a reforma tributária diversas vezes.

Desta vez, Bolsonaro estava contra a proposta e orientou a bancada do PL a seguir o seu posicionamento. Gomes foi o único a contrariar o posicionamento. As informações são do jornal Valor Econômico.

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