Flávio Pereira
A força das manifestações das ruas nesse domingo foi o mais claro recado dado ao governo da presidente Dilma Rousseff e ao Congresso Nacional, de que há uma insatisfação geral que extrapola as questões ideológicas. Nesse aspecto, a avaliação do juiz federal Sérgio Moro mostrou sensibilidade e uma capacidade de interpretar com clareza esse recado: “Importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas e igualmente se comprometam com o combate à corrupção, reforçando nossas instituições e cortando, sem exceção, na própria carne, pois atualmente trata-se de iniciativa quase que exclusiva das instâncias de controle. Não há futuro com a corrupção sistêmica que destrói nossa democracia, nosso bem estar econômico e nossa dignidade como País”.
Dupla de Santa Maria na Redenção
O deputado federal Paulo Pimenta, ao lado do estadual Valdeci Oliveira (PT), preferiu trocar Santa Maria pela capital, e foram presenças marcantes no ato pró-Dilma realizado nesse domingo no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Sem se preocuparem com o cotejo com o número de participantes do ato contra o governo no Parcão, os dois conseguiram mobilizar um grupo expressivo de militantes, muitos deles vinculados a entidades e centrais sindicais.
Protagonismo do PMDB gaúcho
Pouco antes do início da convenção nacional de sábado, que reconduziu o vice-presidente da República, Michel Temer, à presidência do partido, a chamada ala antigoverno contabilizava que dez Estados já haviam aderido à chamada Carta de Porto Alegre, que pede o rompimento total com o governo. O protagonismo da delegação gaúcha foi marcante, e mesmo não conseguindo votar a proposta, a carta somou apoios das delegações do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Bahia, Acre, Rondônia, Roraima e Espírito Santo, que juntos, contabilizam 241 dos 655 votos. O grupo também contabilizava parte dos votos em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Paraíba e Sergipe, Estados que concentram 172 votos. O grupo gaúcho agora tem uma certeza: tivesse a convenção se realizado após as manifestações de ontem, o resultado da proposta de rompimento com o governo Dilma teria sido outro.
Caneta sem tinta
Deputado federal da base do governo da presidente Dilma Rousseff antecipou nesse final de semana seu retorno a Brasília, com previsões pessimistas em relação ao futuro. Realista, o deputado avalia que “o que ainda mantinha a base de aliados é a caneta. O problema é que nos últimos meses acabou a tinta da caneta da presidente e, sem conseguir liberar recursos para programas sociais importantes, muitos vão abandonar o barco”.
Vice gaúcho
Um dado positivo que garante o protagonismo do grupo gaúcho em Brasília foi a eleição, na convenção de sábado, em Brasília, do ex-ministro Eliseu Padilha para vice-presidente nacional do PMDB.
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