Um abaixo-assinado eletrônico em defesa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Prêmio Nobel da Paz já conseguiu juntar quase cem mil assinaturas em cinco horas. Às 15h03min, havia 98.685 apoios à campanha no site change.org. A meta é chegar a 150 mil assinaturas.
A campanha foi criada por Adolfo Pérez Esquivel, escritor e arquiteto argentino, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1980 por sua atuação em defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar argentina (1976-1983). Ele se define como um ativista da não-violência ativa.
Lula está preso desde sábado (7) na superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba. Ele começou a cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão, imposta pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) e após sofrer duas derrotas no STF (Supremo Tribunal Federal), na quarta (4) e no sábado.
Redução da fome e a desigualdade
Esquivel diz no texto do abaixo-assinado que vai apresentar a candidatura de Lula ao Nobel da Paz por ele ter reduzido a fome e a desigualdade nos seus governos como presidente do Brasil, entre 2003 e 2010.O ativista cita alguns dados para tentar mostrar a importância do governo Lula nas questões da fome, renda, emprego e educação.
Segundo o texto de Esquivel, a porcentagem dos que viviam com menos de US$ 3,10 por dia (o equivalente a cerca de R$ 10) caiu de 11% em 2003 para 4% em 2012. Houve a criação de 15 milhões de empregos nos governos de Lula e a taxa de desemprego caiu 50%, ainda de acordo com a defesa feita pelo ativista.
“O governo Lula foi uma construção democrática e participativa com meios não violentos que elevou o nível de vida da população e deu esperanças aos setores mais necessitados. O mundo reconhece que houve um antes e um depois na história do desigual Brasil após a Presidência de Luiz Inácio Da Silva. A contribuição de Lula da Silva para a paz está entre os feitos mais concretos da vida do povo brasileiro”.
A carta é endereçada ao Comitê do prêmio na Noruega. Nela, Esquivel afirma que a “Paz não é apenas a ausência de guerra, nem se trata de evitar a morte de uma ou muitas pessoas, a Paz também é dotar os povos de esperança de futuro”.
O texto lembra também que “esses resultados dos programas do governo do PT no Brasil para superar a pobreza e a fome não foram uma política de Estado mantida por outros partidos do governo, mas uma política governamental específica que o Brasil está gradualmente abandonando. Isso é demonstrado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que anunciou que, em 2017, o Brasil tinha mais de 3 milhões de novos pobres por causa das políticas do atual governo”.
O texto finaliza: “Por estas razões, com o mesmo senso de esperança que Martin Luther King transmitiu quando disse ‘se o mundo acabar amanhã, ainda plantarei minha macieira’, somos muitos que acreditam que o Prêmio Nobel da Paz para Lula da Silva ajudará a fortalecer a esperança de poder continuar construindo uma nova aurora para dignificar a árvore da vida”.
