A rejeição e a abstenção aos candidatos estão entre os principais desafios de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Depois de uma primeira votação disputada, as campanhas tentam mobilizar eleitores que não compareceram às urnas e conquistar a preferência de quem escolheu candidatos eliminados da disputa.
O primeiro turno registrou aproximadamente 33,4 milhões de abstenções, o equivalente a cerca de 21% dos eleitores aptos a votar.
O percentual foi o maior desde 1998, quando o índice ficou em torno de 21,5%. A ausência de uma parcela expressiva do eleitorado tornou a mobilização um dos pontos centrais da estratégia dos dois candidatos.
A abstenção não representa necessariamente uma preferência política. Entre os eleitores ausentes estão pessoas que enfrentaram dificuldades para chegar aos locais de votação, problemas de saúde, compromissos de trabalho ou falta de interesse no processo eleitoral. Por isso, as campanhas precisam identificar quais grupos podem ser mobilizados e quais temas podem estimular o comparecimento.
O resultado também colocou em evidência a dificuldade de conquistar eleitores que rejeitam os dois candidatos. Pesquisa Datafolha divulgada em outubro mostrou índices elevados de rejeição tanto a Lula quanto a Flávio. O levantamento apontou que 45% dos entrevistados afirmavam não votar no senador de jeito nenhum, mesmo percentual registrado pelo presidente naquela rodada da pesquisa.
A rejeição limita a possibilidade de crescimento das campanhas, porque parte do eleitorado já demonstra resistência aos dois nomes. Para ampliar a votação, os candidatos precisam apresentar propostas capazes de atrair eleitores que não se identificam diretamente com nenhum dos campos políticos.
A campanha de Lula procura recuperar votos entre eleitores de baixa renda e ampliar a mobilização em regiões nas quais o presidente tradicionalmente tem melhor desempenho. A estratégia também envolve a participação de lideranças políticas, movimentos sociais e integrantes do governo em atos públicos e ações nas redes sociais.
Flávio, por sua vez, busca consolidar o apoio dos eleitores identificados com a direita e atrair pessoas que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno. O senador também tenta ampliar sua presença entre eleitores que demonstram insatisfação com o governo federal, mas a rejeição ao sobrenome Bolsonaro pode dificultar a aproximação com determinados grupos.
Os votos de candidatos que não avançaram para a etapa final são outro componente da disputa. O apoio declarado por lideranças políticas pode ajudar a orientar eleitores, mas não garante que eles seguirão a recomendação. A decisão individual depende de fatores econômicos, sociais, regionais e da avaliação que cada eleitor faz dos candidatos.
