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Abstenção pode definir a eleição para a Presidência da República

Ausência na votação é dominada por menos escolarizados e alcançou 20,79% em 2022. (Foto: Divulgação)

A abstenção no primeiro turno das eleições presidenciais cresce desde 2006, com alta de quatro pontos percentuais até 2022, quando o índice chegou a 20,79%, 32,7 milhões de brasileiros ausentes. Em uma eleição com apenas dois candidatos competitivos e empatados dentro da margem de erro no agregado das pesquisas, a abstenção pode definir o resultado.

No pleito passado, entre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT), as margens nas pesquisas não eram tão apertadas a poucos dias da votação, e a abstenção caiu no segundo turno pela primeira vez desde 2002, mesmo com o rescaldo das restrições da pandemia. O petista voltou ao Palácio do Planalto.

Na disputa deste ano, a ausência de eleitores tende a penalizar Lula, na avaliação do cientista político Antônio Lavareda, presidente da Abrapel (Associação Brasileira de Pesquisas Eleitorais). Ele aposta que o crescimento da abstenção é certo (cresce a cada pleito) e que o índice é puxado pelos eleitores menos escolarizados e de menor renda, público de maior apoio do petista.

“A abstenção vai prejudicar Lula porque ele tem menos votos entre os menos escolarizados do que tinha em 2022. Há uma insatisfação com a economia e a percepção de que ela não melhorará”, afirma.

Lavareda diz que a chamada correlação de Spearman (que mede se duas variáveis tendem a variar juntas e em que direção) entre escolaridade e abstenção é quase absoluta, de -0,97, o que significa que, quanto menor a escolaridade, maior a tendência de abstenção.

Para ele, isso não foi um problema em 2018, por exemplo, porque o então presidenciável Fernando Haddad (PT) teve votação muito baixa no primeiro turno, de 29%, “e com pouca presença da base da pirâmide social, diferentemente de Lula, que arrasta o público de baixa renda e escolaridade”.

Essa fidelidade da base da pirâmide a Lula poderia ser uma motivação para o voto, mas para o cientista político, quem se abstém são os eleitores com “menor consistência” em relação ao voto e à política, e para os quais também pesam as dificuldades logísticas.

As cidades com maior abstenção estão localizadas em áreas mais remotas da região Norte, em algumas áreas de fronteira e em municípios pequenos.

Além disso, há evidências de que a campanha deste ano tem o menor engajamento desde a redemocratização: é a primeira eleição em décadas sem debate entre os principais candidatos e o grau de interesse medido nas pesquisas é baixo.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os analfabetos respondem pelo perfil com maior taxa de abstenção. Em 2022, eles registraram 52% de abstenção no primeiro turno e 49,3% no segundo. Entre os eleitores com ensino superior completo, a taxa foi de 12,4%.

Também apresentam taxas elevadas de abstenção os eleitores mais velhos, para os quais o voto é facultativo. Entre os maiores de 70 anos, a abstenção foi de 58,8% no primeiro turno e de 54,7% no segundo. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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