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Acordo nuclear do Irã deve prejudicar mercado brasileiro, diz consultor

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o acerto é “um erro histórico para o mundo”. (Foto: Ronen Zvulun/Reuters)

O acordo entre potências mundiais e o Irã fechado nessa terça-feira não é boa notícia para o setor de petróleo brasileiro, de acordo com o consultor David Zylbersztajn. O Irã tem a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a quarta de óleo em estado cru.

Com o número maior de ofertantes do produto e maior competição, a perspectiva de mercado externo brasileira não é animadora, observa Zylbersztajn. Ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, ele afirma que isso consolidará uma margem de ganhos com o pré-sal bem menor do que a projetada inicialmente pela Petrobras.

Nos Estados Unidos, hoje autossuficientes, a oferta de petróleo do Irã impactará o preço dos combustíveis e vários campos de exploração norte-americanos ficarão inviáveis, avalia. “Mas sai mais barato para o governo americano subsidiar alguns exploradores do que manter um aparato enorme de segurança no Oriente Médio.”

Zylbersztajn afirma que “seguramente” entrou no acordo a participação de empresas norte-americanas e europeias para a reconstrução da infraestrutura iraniana, que está defasada devido aos anos de sanções. “Empresas internacionais estão felicíssimas. Deve fazer parte do pacote contratos bilionários”, declara.

Pacto
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, agradeceu nessa terça-feira a equipe de diplomatas do país que selou o acordo nuclear com as potências. Esta é a sua primeira reação desde o fechamento do pacto. Segundo comunicado divulgado pelo site oficial, os agradecimentos foram feitos durante reunião com o presidente Hasan Rowhani. Nela, referiu-se ao grupo de negociadores como “verdadeiros e trabalhadores duros”.

Pelas redes sociais – bloqueadas, mas amplamente acessadas graças a programas antifiltros –, a euforia dos iranianos se espalhou rapidamente. Alegria, alívio e orgulho eram os sentimentos dominantes de um povo ufanista que andava carente de alegrias coletivas.

Sanções
A União Europeia decidiu estender a suspensão das sanções contra o Irã até 14 de janeiro de 2016, depois que o acordo foi concluído entre Teerã e as principais potências sobre o programa nuclear da República Islâmica. A medida pode ser revertida se os termos do acerto não forem cumpridos.

As sanções suspensas alcançam alguns setores chave da economia iraniana. Entre eles estão os produtos petroquímicos, o comércio de ouro e de metais preciosos, assim como as transferências financeiras.

Israel
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o acordo nuclear iraniano é “um erro histórico para o mundo”. Netanyahu abriu uma conta na rede social Twitter, escrita em persa, para criticar o acerto sobre o dossiê, concluído nessa terça-feira em Viena (Áustria). “O objetivo é estabelecer uma comunicação direta com os iranianos, doutrinados para odiar Israel desde a Revolução Islâmica de 1979”, disse um assessor do gabinete do primeiro-ministro.

Para Netanyahu, Israel, inimigo do Irã, é totalmente contra um acordo sobre o programa nuclear. Para ele, isso não impedirá Teerã de fabricar a bomba atômica. “Enquanto o espetáculo com o Irã continua, o país está prestes a fabricar a bomba nuclear e dispõe de milhões de dólares para o terrorismo e ataques”, escreveu Netanyahu, em mensagem.

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